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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

COMO APROVEITAR AO MÁXIMO A SUA LEITURA DA BÍBLIA.


Por Thomas Watson.

1. Remova obstáculos. (a) remova o amor por todo e qualquer pecado (b) remova as distrativas preocupações deste mundo, especialmente a cobiça [Mt 13:22] (c) não faça piadas com a Bíblia e a partir da Bíblia.
2. Prepare seu coração. [1 Sm 7:3] Assim: (a) recolhendo seus pensamentos (b) eliminando sentimentos e desejos impuros (c) não vindo à Palavra apressada ou negligentemente.
3. Leia com reverência, considerando que cada linha é Deus que fala diretamente com você (2 Tm 3:16-17; Sl 19:7-11).
4. Leia os livros da Bíblia em ordem.
5. Obtenha uma verdadeira compreensão da Escritura. [Sl 119:73] isto é melhor alcançado comparando partes correlatas da Bíblia entre si.
6. Leia com seriedade. [Dt 32:47] A vida cristã deve ser encarada com seriedade já que requer esforço [Lc 13:24] e não falhar [Hb 4:1].
7. Persevere em lembrar-se do que você lê. [Sl 119:52] Não deixe que seja roubado de você [Mt 13:4 ,19]. Se o que você lê não fica na sua memória é improvável que seja de muito benefício para você.
8. Medite no que lê. [Sl 119:15] A palavra hebraica para “meditar” significa “estar intensamente na mente”. Meditação sem leitura é errada e tendente a equívocos; leitura sem meditação é estéril e infrutífera. Significa incitar os afetos, ser aquecido pelo fogo da meditação [Sl 39:3].
9. Leia com um coração humilde. Reconheça que você é indigno da revelação de Deus a você [Tg 4:6]
10. Acredite que tudo é a Santa Palavra de Deus. [2 Tm 3:16] Nós sabemos que nenhum pecador poderia tê-la escrito devido ao modo com ela descreve o pecado. Nenhum santo poderia blasfemar contra Deus fingindo que sua própria Palavra seria a de Deus. Nenhum anjo poderia tê-la escrito pela mesma razão. [Heb 4:2]
11. Valorize a Bíblia grandemente. [Sl 119:72] Ela é a sua tábua de salvação; você nasceu por meio dela [Tg 1:18]. Você precisa crescer por meio dela [1 Pd 2:2] [cf. Jó 23:12].
12. Ame a Bíblia ardentemente [Sl 119:159].
13. Leia-a com um coração honesto. [Lc 8:15] (a) Disposto a conhecer toda a vontade de Deus (b) lendo para ser transformado e melhorado por ela [Jo 17:17].
14. Aplique a você mesmo tudo o que lê, tome cada palavra como dita para você. Sua condenação de pecados como a condenação ao seu próprio pecado; a obrigação que ela requer como o dever que Deus requerer de você [2 Rs 22:11].
15. Preste muita atenção aos mandamentos da Palavra tanto quanto às promessas.Pense em como você precisa de direção tanto quanto precisa de conforto (Sl 119:9-11).
16. Não se deixe levar pelos detalhes secundários, antes tenha certeza de prestar atenção mais às grandes coisas [Os 8:12].
17. Compare-se com a Palavra. Como fica essa comparação? Seu coração é parecido com uma transcrição dela, ou não? (Tg 1:21-25)
18. Preste atenção especial àquelas passagens que falam à sua situação individual, particular e presente. Por exemplo: (a) Aflição – [Hb 12:7, Is 27:9, Jo 16:20, 2 Co 4:17]. (b) Senso da presença e do sorriso de Cristo retirado -[Is 54:8, Is 57:16, Sl 97:11] (c) Pecado – [Gl 5:24, Tg 1:15, 1 Pe 2:11, Pv 7:10;22-23, Pv 22:14] (d) Incredulidade -[Is 26:3, 2 Sm 22:31, Jo 3:15, 1 Jo 5:10, Jo 3:36]
19. Preste especial atenção aos exemplos e vidas das pessoas na Bíblia como sermões vivos. (a) Castigos [Nabucodonosor, Herodes, Nm 25:3-4;9, 1 Rs 14:9-10, At 5:5,10, 1 Co 10:11, Jd 7] (b) Misericórdias e libertações [Daniel, Jeremias, os 3 jovens no forno flamejante]
20. Não pare de ler a Bíblia até que você tenha seu coração aquecido. [Sl 119:93] Não deixe que ela apenas te informe, mas também que ela te inflame [Jr 23:29, Lc 24:32].
21. Ponha em prática o que você lê [Ps 119:66, Ps 119:105, Deut 17:19].
22. Cristo é, para nós, Profeta, Sacerdote e Rei. Utilize o ofício dEle como Profeta [Ap 5:5, Jo 8:12, Sl 119:102-103]. Faça com que Cristo abra não só a Bíblia para você, mas também a sua mente e entendimento [Lc 24:45]
23. Assegure-se de estar sob um verdadeiro ministério da Palavra, que expõe a Palavra fiel e plenamente [Pv 8:34] seja sério e ávido em esperar por isso.
24. Ore para que você tire proveito da leitura [Is 48:17, Sl 119:18, Ne 9:20].

Obstáculos naturais

Você ainda pode poderá beneficiar-se da leitura apesar deles:
1. Você não parece beneficiar-se tanto quanto outros. Lembre-se dos rendimentos diferentes [Mt 13:8] Apesar do rendimento não ser tão expressivo quanto o de outros ainda é um verdadeiro e frutífero rendimento.
2. Você pode sentir-se lento em compreender [Lc 9:45, Hb 5:11].
3. Sua memória é ruim (a) Lembre-se que você ainda pode ter um bom coração apesar disso (b) Você ainda pode lembrar-se das coisas mais importantes mesmo que você não se lembre de tudo, seja encorajado por João 14:26.
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Autor: Thomas Watson.
Abreviado e modernizado por Matthew Vogan | puritansermons.com
Tradução: Juliano Heyse | bomcaminho.com

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

COMO APROVEITAR O NATAL

Neste vídeo, o Rev. Augustus Nicodemus apresenta quatro sugestões de como podemos apreciar o Natal de modo a glorificar o Senhor Jesus Cristo. Uma mensagem em Jo 1.1-14.









quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

ANÁLISE DO SACRIFÍCIO DE JEFTÉ.


Neste trabalho analisaremos um dos textos “polêmicos” das páginas veterotestamentárias. O texto de Jz 11.30-40 tem sido palco de discussões teológicas desde a Idade Média. De um lado, homens doutos em Teologia tentavam provar que Jefté realmente sacrificou com fogo sua única filha. Do outro lado, homens tão doutos quanto apresentavam seus argumentos para provar que o sacrifício foi a virgindade perpétua da filha de Jefté.
            
O objetivo desse trabalho não é dirimir a questão em pauta, mas sim provar à luz da Bíblia e das Línguas Bíblicas que Jefté realmente sacrificou sua filha como oferta queimada, mas não aceitamos que Deus aceitou seu sacrifício.
            
Para provarmos o nosso ponto de vista recorremos às Línguas Bíblicas, à exegese, aos léxicos de hebraico e grego e a alguns comentários bíblicos conceituados na atualidade.

1. INTRODUÇÃO AO PERSONAGEM.
            
Iniciaremos esse trabalho analisando abruptamente a vida do personagem em análise.

a. Significado do nome.
            
O nome Jefté, tal qual conhecemos, se encontra na Biblia Hebraica como xAGtp:iy (yiphtaH). Seu significado é Ele abre/abrirá. Esse nome provém do verbo xatAP (pataH) que significa abrir. [1]

b. Breve biografia.
            
Jefté foi o nono juiz de Israel. Filho de uma prostituta, por isso foi expulso de casa por seus irmãos, Jz 11.1,2. Chefiou um grupo de homens foragidos, Jz 11.3. Derrotou completamente os amonitas, Jz 11.33. Fez um voto insensato, Jz 11.30. Julgou a Israel seis anos, Jz 12.7. É um dos grandes exemplos de fé em Deus, Hb 11.32.[2]

2. LINHAS DE PENSAMENTOS.
            
A respeito do texto de Jz 11.30-40 existem duas linhas de interpretação.

a. Primeira corrente de pensamento.
            
A primeira diz que houve o sacrifício da vida da jovem, mas o voto que gerou este fato foi impensado e Deus, apesar de ter-lhe concedido vitória, não aceitou o sacrifício (que se assemelhava ao culto pagão) e muito menos aprovou o voto de Jefté. Logo, se as coisas aconteceram dessa maneira, a punição prevista em Lv 18.21 e 20.2 não poderia ser aplicada a Jefté, visto que ele não ofertou ao deus moloque, mas ao Deus de Israel. Isso, no entanto, não avaliza a tese da aceitação divina do voto, mas serve apenas para demonstrar que o ato de Jefté não deve ser comparado ao dos pagãos de sua época.

b. Segunda corrente de pensamento.
            
Esta linha de interpretação defende que esse sacrifício deve ser compreendido à luz do conceito posteriormente desenvolvido pelo apóstolo Paulo – de que todos devemos nos oferecer a Deus como sacrifício vivo (Rm 12.1). Vendo a passagem por este ângulo, é possível entender que Jefté, aconselhados pelos sacerdotes, tenha oferecido sua filha ao Senhor para servi-lo em sua casa pelo resto da vida, permanecendo virgem, Jz 11.38,39 (confira os textos de Êx 38.8; 1 Sm 2.22 e outras referências sobre virgens consagradas que serviam no templo). Todavia, esse ato seria um sacrifício tão grande quanto matá-la, quando levamos em consideração o contexto judaico daqueles dias, em que as várias linhagens e suas respectivas famílias constituíam o centro da vida social. Assim, Jefté, ao destinar sua única filha ao serviço do Senhor, com voto de castidade perpétua, estaria fadado a admitir o fim de sua própria linhagem.[3] 

3. TEXTOS ORIGINAIS.
            
Vejamos o texto de Jz 11.31: “Aquilo que, saindo da porta de minha casa, me vier ao encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do SENHOR, e o oferecerei em holocausto” (ACF).
            
A palavra oferecerei no texto hebraico é Fwhityilávah (ha‘alitihu) vem do verbo polissêmico hAlAv que significa subir, ascender; oferecer; ser oferecido; ser levado para cima. Na LXX[4] a palavra é avnoi´,sw (anóiso). Essa palavra vem do verbo polissêmico ‘avvvnafe,rw (anaphéro). Entre seus muitos significados, o que mais se aplica ao texto em questão é colocar sobre o altar, trazer para o altar, oferecer. O ato de colocar sobre o altar implica em sacrificar a oferta. Esse verbo grego aparece também no texto grego do Novo Testamento em Hb 7.27 (“a”””””””””””vvvnafe,rein) e 1Pe 2.5 (avnene,gkai) significando oferecer (como) um sacrifício. [5]
            
A palavra holocausto no texto hebraico é a conhecida palavra hAlOwv (‘ôlâh). Seu significado é oferta queimada e é a forma feminina do particípio ativo do verbo hAlAv. Harris, Archer e Waltker (Vida Nova, 1998) assim explicam esse vocábulo (obs.: substituímos no texto a palavra ‘ôlãh pelo vocábulo transcrito em hebraico):[6]
A explicação usual para a tradução mais comum "holocausto” ou “oferta queimada” é que a fumaça da oferta sobe ou ascende até Deus. No entanto, uma vez que outros sacrifícios eram queimados, parece provável que haja algum outro conceito implícito no uso de hAlOwv para descrever esse sacrifício. Parece que a chave da questão é que apenas entre os sacrifícios israelitas o hAlOwv é inteiramente queimado, em vez de parcialmente queimado e comido pelos adoradores e/ou sacerdote. É assim que o animal inteiro é posto sobre o altar e oferecido como dádiva em tributo a Iavé. “Oferta total” ou “oferta inteira” é uma tradução que transmitiria melhor a teologia do hAlOwv. Ele é mesmo queimado, mas o ato de queimar é essencialmente secundário em relação à entrega da criatura toda a Iavé.

            
Isso significa que oferecer em holocausto implica em queimar a oferta. Assim sendo, não é plausível pensarmos que Jefté não tenha sacrificado com fogo a sua filha, uma vez que ele sua a palavra hAlOwv.

Na LXX a palavra grega correspondente ao vocábulo hAlOwv em Jz 11.31 é õõõóóòo``lokau,twma (holokáutoma) e significa 1. oferta totalmente queimada, 2. a vítima é totalmente queimada. A palavra o``lokau,twma éé composta por dois vocábulos gregos: o[loççj (hólos), todo, inteiro, completo; kai,w (káio), eu queimo. o``lokau,twma aparece em Mc 12.33 (o´`lokautwma,twn - holokautomátov) e em Hb 10.6,8 (o``lokautw,mata).[7]
            
Diante das provas linguísticas fica fácil entender que a palavra holocausto implica em queimar a oferta em cima do altar. Portanto, torna-se difícil acreditar que Jefté não tenha sacrificado sua filha no fogo. Se porventura Jefté não sacrificou sua filha, cremos que o autor bíblico teria usado uma palavra diferente. Mas o Espírito Santo quis (2Pe 1.20,21) que a palavra hAlOwv fosse empregada no texto, nos transmitindo a ideia de sacrifício queimado.

4. JEFTÉ CONSAGROU SUA FILHA À VIRGINDADE PERPÉTUA PARA ELA SERVIR AO SENHOR?

            
Como analisamos no início dessa pesquisa, existem duas linhas de raciocínios que se aplicam ao texto bíblico em análise. Nesta seção analisaremos a segunda linha de pensamento. Archer (Vida, 2001) tenta provar que Jefté não sacrificou sua filha, mas, sim, que a separou para servir o Senhor permanentemente. Ele cita os seguintes pontos de vistas:[8]

a. De acordo com essa visão, os dois meses que a jovem se dirigiu aos montes para chorar foi não para chorar sua morte próxima, mas sim, para lamentar sua virgindade permanente.

b. Jefté teria colocado sua filha para trabalhar para o Senhor no Tabernáculo.

c. Os teólogos que defendem essa linha dão ênfase à expressão “e ela não conheceu homem” (Jz 11.39). Segundo eles, essa observação não teria sentido se de fato a moça fosse sacrificada.

d. Os teólogos argumentam também que se Jefté houvesse sacrificado a própria filha, jamais poderia ter sido inscrito entre os heróis da fé de Hb 11.32.

Como confrontar estas ideias?[9]
            
Douglas (2006,pg. 657) rebate essas ideias assim:

Com imensa tristeza, Jefté sentiu que precisava cumprir o seu voto oferecendo sua própria filha como oferta queimada ('olah, que sempre era queimada). Ele não a devotou a uma vida celibatária (ponto de vista não introduzido senão já no tempo do rabino Kimchi), pois não há registro que as serventes femininas, no tabernáculo ou no templo, tinham de ser virgens (Ana fora casada, Lc 2.36) (grifos nossos).

Veja o que dizem Pfeiffer, Vos e Rea (2007, pg. 1015):

Às vezes, a ideia apresentada e a de que Jefté a tenha entregado ao Tabernáculo, onde ela teria passado o resto de sua vida trabalhando como serva do sacerdote, nunca vindo a se casar; e assim seria dedicada aos deveres sagrados da religião como uma virgem santa (cf. Ex 38.8; 1 Sm 2,22). De qualquer forma, não existe um exemplo específico no Antigo Testamento para o conceito do celibato feminino no serviço do Templo, embora muitas mulheres tenham desempenhado diversas funções religiosas. Historicamente, esta interpretação aparentemente surgiu de explicações alegóricas do rabino Kimchi nos séculos XI e XII. Esta interpretação foi subsequentemente adotada por muitos cristãos expositores, mas tem pouca base bíblica.

Analise também o que diz Gusso (2011, pg. 39) a respeito do texto em análise:

Como a atitude de Jefté se mostra absurda para os padrões cristãos, e como no texto aparece uma expressão até certo enigmática que é o “chorar a virgindade” [...], muitos procuram dar uma interpretação diferente daquela que parece ser a intenção clara do texto, que é o oferecimento da filha de Jefté em holocausto. [...] Os comentaristas e historiadores antigos sempre concordaram que Jefté, realmente, (sic) sacrificou sua filha por meio do fogo. A partir da Idade Média é que surgiram tentativas erradas, ainda que bem intencionadas, procurando amenizar o significado claro do texto.

CONCLUSÃO.
            
Com base no que foi apresentado podemos acreditar que Jefté realmente queimou sua filha em holocausto. Tanto o texto original hebraico bem como o texto grego da LXX fundamenta essa afirmativa. Todas as vezes que a palavra‘ôlãh aparece no Antigo Testamento implica em sacrifício queimado. Quando nos propomos interpretar um texto bíblico devemos (1) analisar o texto original e (2) levar em conta o ambiente vivencial das personagens da Bíblia. Assim, devemos considerar as palavras do texto original e estudá-las e procurar compreender os tempos e épocas das personagens das histórias da Bíblia. Jefté viveu entre pessoas pagãs e isso deve ser levado em consideração.
            
Não cremos que Deus aceitou o sacrifício de Jefté. Deus não aceita sacrifícios humanos, Lv 18.21; 20.2; Jr 19.5; Ez 20.30-31; 23.37-39.

BILIOLOGIA.

1. SOFTWARE.

In the beginning was theWord ®, versão 4.0.01342. Copyright © 2003-2012. 
Costas Stergiou.

2. EDIÇÕES DA BÍBLIA EM PORTUGUES.

A Bíblia Sagrada - Almeida Corrigida Fiel (ACF), © 2007, Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

3. EDIÇÃO DA BÍBLIA HEBRAICA.
ELLIGER, Karl; RUDOLPH, Wilhelm (eds.). (1997). Mybwtkw My'ybn hrwt - Biblia Hebraica Stuttgartensia. 5. Ed. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft.

4. EDIÇÕES DA BÍBLIA EM GREGO E LATIM.

Jerome's: Biblia Sacra Vulgata Latina. In: In the beginning was theWord ®, versão 4.0.01342. Copyright © 2003 - 2012. Costas Stergiou.

RAHLFS, A. (ed.) (1917) LXX – Septuaginta. 9ª ed. Stuttgart: WŸrttembergische Bibelanstalt. In: In the beginning was theWord ®, versão 4.0.01342. Copyright © 2003-2012. Costas Stergiou.

SAYÃO, Luiz. (ed.) (1998). Novo Testamento trilíngue: grego, português e inglês. São Paulo: Vida Nova.


5. DICIONÁRIOS DE LÍNGUAS BÍBLICAS.

GINGRICH, F. Wilbur; DANKER, Frederick W. (1993) Léxico do Novo Testamento grego: grego – português. São Paulo: Vida Nova.

LEBLANC, Pierre [S/D]. Greek to Hebrew and Hebrew to Greek, Dictionary of Septuagint Words. In: In the beginning was theWord ®, versão 4.0.01342. Copyright © 2003-   2012. Costas   Stergiou.

MICKELSON, Jonathan Kristen (2008). Mickelson's Enhanced Strong's Greek and Hebrew     Dictionaries. In: In the beginning was theWord ®, versão 4.0.01342. Copyright © 2003- 2012. Costas  Stergiou.

MITCHEL, Larry A.; PINTO, Carlos O. C; METZGER, Bruce M. (2002) Pequeno Dicionário de Línguas Bíblicas: Hebraico e Grego. São Paulo: Vida Nova.

STRONG, James (2002). Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil.

THAYER, Joseph Henry. [S/D]. Thayer's Greek Definitions. In: In the beginning was theWord ®, versão 4.0.01342. Copyright © 2003- 2012. Costas             Stergiou.

6. ENCICLOPÉDIAS, MANUAIS, DICIONÁRIOS E LIVROS TEOLÓGICOS.

ARCHER, Gleason Leornard. (2001) Enciclopédia de temas bíblicos: respostas às principais dúvidas, dificuldades e “contradições” da Bíblia. 2ª ed. São Paulo; Editora Vida.

BOYER, Orlando. (1999) Pequena Enciclopédia Bíblica. 28ª impressão. São Paulo: Editora Vida.

DOUGLAS, J. D. (org.) (2006) O Novo dicionário da Bíblia. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova.

GUSSO, Antônio Renato. (2011) Os Livros Históricos – Introdução fundamental e auxílios para a interpretação. Curitiba: A.D. SANTOS EDITORA.

HARRIS, R. Laird; ARCHER, Gleason L; WALTKE, Bruce K. (1998) Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova.

PFEIFFER, Charles F; VOS, Howard F; REA, John. (2007) Dicionário bíblico 

Wycliffe. 2ª ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus.

7. BÍBLIA DE ESTUDO.

Bíblia Apologética de Estudo (2006). 2ª ed. Jundiaí, SP: Instituto Cristão de Pesquisas.






[1] Cf. Elliger, Rudolph, 1997, pg. 423; Mickelson, 2008; Strong, 2002, pgs. 434, 866; Boyer, 1999, pg 344.
[2] Cf. Boyer, op. cit.; Gusso, 2011, pg. 38.
[3] Cf. Bíblia Apologética de Estudos, 2006, pg. 266; Archer, 2001, pg. 144.
[4] A LXX foi a tradução para o grego das Escrituras hebraicas feitas em Alexandria, Egito a partir do século III a.C.  No período cristão, a LXX tornou-se a Escritura Sagrada da Igreja Cristã. No mesmo período, o judaísmo rejeitou a LXX e a substituiu por outras versões gregas, como as de Áquila, Símaco e Teodocião.
[5] Cf. Ellinger, Rudolph, 1997, pg. 423; Strong, 2002, pgs. 774, 775, 1188; Gingrich, Danker, 1993, pg. 22; Rahlfs (ed.), 1971; Sayão, 1998, pgs. 620, 651.
[6] Cf. Ellinger, Rudolph, op.cit.; Harris, Archer, Waltke, 1998, pg. 1116
[7] Cf. Rahlfs (ed.), 1971; Mickelson, 2008; Thayer, ; Gingrich, Danker, 1993, pg. 144; Strong, 2002, pg. 1542; Leblanc, [s/d]. MItchel, Pinto, Metzger, 2002, pgs. 85,88.
[8] Cf. Archer, 2001, pg. 144.
[9][9] Cf. Douglas, 2006, pg. 657; Pfeiffer, Vos, Rea, 2007, pg. 1015, Gusso, 2011, 39.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

OS TRÊS TIPOS DE DOUTRINAS.


O cristianismo possui um corpo de doutrinas bem completo e complexo. Para o cristão, conhecê-lo é de fundamental importância. Todavia, não é unânime no meio evangélico a consciência da necessidade de estudar e conhecer as doutrinas bíblicas. Por um lado, os  cristãos de igrejas tradicionais e históricas compreendem a necessidade do estudo das Escrituras. Por outro, os cristãos pentecostais e neopentecostais menosprezam um tanto quanto o estudo das Escrituras.
             No âmbito pentecostal e neopentecostal, a ideia doutrina está intrinsicamente ligada a questões de usos e costumes. Questões de vestimentas e estética se tornaram “doutrina” e tomaram o lugar daquilo que é, de fato, é doutrina. Nas igrejas históricas e tradicionais, o estudo das doutrinas sempre teve amplo espaço no cotidiano eclesiástico. O ramo histórico do cristianismo está repleto de confissões de fé e catecismos. Podemos destacar o Credo Apostólico, um dos documentos confessionais mais antigos do Cristianismo. Sua data é incerta, sendo que alguns estudiosos o datam do século II, outros o colocam numa data mais antiga, no século VI.[1]
            Este estudo pretende analisar os três tipos de doutrinas que a Bíblia menciona, tendo em vista que há uma enorme confusão no meio evangélico sobre o que são doutrinas,  a fim de descobrir suas  implicações para o corpo de Cristo. Pensamos que a origem dessa confusão está imbricada à falta de uma boa interpretação das Escrituras. Não são poucos os cristãos que entendem que a Bíblia possui muitas interpretações e que elas dependem da mente do leitor. Na verdade, essa ideia trata-se de um engano muito grande. Quando se diz que um texto bíblico possui muitas interpretações, o que, na verdade, está sendo feito é esvaziar a Bíblia de sua autoridade.
            Rejeitamos a ideia de pluralidades na interpretação das Escrituras. Não cremos que ela possui várias interpretações. As Escrituras se nos revelam que possui apenas um único autor, o Espírito Santo (2Pe 1.20,21). Isto significa que há somente uma mente por detrás do texto. O Espírito Santo tinha uma intenção para comunicar através dos elementos humanos que ele usou para transmitir sua mensagem de salvação, e esta intenção é única e deve ser procurada e entendida.

1. Definição de doutrina.
            Sempre é um bom caminho iniciar fazendo definições. A falta de boas definições é perigosa. Pensamos que a melhor maneira de definir a palavra doutrina é buscar seu significado nas línguas originais da Bíblia.  O Antigo Testamento foi escrito originalmente em hebraico e aramaico; o Novo Testamento foi escrito em grego.[2] A palavra doutrina, tal como conhecemos em nosso idioma, vem da língua latina (doctrina) e significa ensino.
            No Antigo Testamento, a palavra doutrina traz a ideia de um corpo de ensinamentos revelados.[3] Temos duas palavras no Antigo Testamento que trazem a ideia de doutrina. A primeira é a palavra leqach (lê-se lecar) que significa “o que é recebido”[4] e aparece em Dt 32.2; Jó 11.4; Pv 4.2; Is 29.24.[5]
            A segunda palavra é o substantivo torah.[6] Esta palavra é bem conhecida por nós.[7] Ela transmite a ideia de um corpo de ensino. Seu significado é instrução, ditame, direção, lei.[8] Esta palavra é usada para se referir aos cinco primeiros livros da Bíblia, também chamados de Pentateuco.[9]
No Novo testamento temos também duas palavras. A primeira é a palavra didaskalía (didaskali,a) que é uma palavra polissêmica. Ela significa tanto o ato como o conteúdo. Em Rm 12.7 (didaskali,a| [didaskalia]); Rm 15.4 (didaskalíi,an [didaskalian]); 2Tm 3.16 (didaskalíi,an [didaskalian]) a palavra significa instrução, ensino num sentido ativo. Num sentido mais passivo (aquilo que é ensinado), a palavra aparece em Mc 7.7; Cl 2.22; 1Tm 1.10; 4.6; 2Tm 3.10; Tt 1.9.[10]
            A segunda palavra é didaquê (didach,). Esta palavra também significa tanto o ato de ensinar como o conteúdo do ensino. Ela se refere ao ensino de Jesus (Mt 7.28: “... estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina [didach/|]) e que seu ensino era de origem divina (Jo 7.16,17). Com o significado de ensino como uma atividade, instrução, a palavra aparece em Mc 4.2; 1Co 14.6; 2Tm 4.2. Em um sentido passivo (o que é ensinado), ensino, instrução, ela aparece em Mt 16.12; Mc 1.27; Jo 7.16,17 [in loco]; Rm 16.17; Ap 2.14.[11]

2. Tipos de doutrinas.
            A Bíblia nos apresenta três tipos de sistemas doutrinários e que vamos analisar a partir de agora. A Escritura nos fala sobre a doutrina de Deus, doutrinas de demônios e doutrinas de homens.
Vamos iniciar falando sobre a doutrina de Deus. Em Tt 2.10 temos a expressão “doutrina de Deus”.[12] A doutrina de Deus está expressa em toda a Bíblia. Quando chamamos a Bíblia de “a Palavra de Deus” estamos querendo dizer que ela é aquilo que Deus falou. Os liberais, que não acreditam na inspiração plena e na inerrância das Escrituras, costumam dizer que a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas somente contêm a palavra de Deus. Com esta frase o que eles querem é dizer é que alguns textos da Bíblia são, de fato, a Palavra de Deus, e que outros textos não o são. É claro que não aceitamos esse ensino dos liberais. Cremos, e disso estamos firmemente convencidos, que a Bíblia toda é a palavra de Deus, nossa única regra de fé e de prática (Ef 2.20; 2Tm 3.16; Mt 11.27).[13] Deus mandou seus servos escreverem sua Palavra revelada (Êx 34.27; Sl 102.18; Ap 1.11,19).[14]
O texto de Rm 15.4 diz que tudo o que foi escrito serve para o nosso ensino.  O único meio para conhecermos os ensinos/doutrinas de Deus é ler sua Palavra e meditar nela (Sl 1.1,2). Deus é um ser pessoal e que se revela nas Escrituras. Sua vontade e desejos também estão descritos nas Escrituras Sagradas. Deus não mais dá revelações para o seu povo como fazia antigamente. Os textos de Is 8.10; 1Tm 3.15; Hb 1.1,2; 2Pe 1.9 são  claro em afirmar isso. Primeiramente Deus se revelou aos profetas do Antigo Testamento e os inspirou a escrever sua mensagem. Em seguida Deus se revelou através da pessoa de seu Filho, Jesus Cristo, Jo 1.14.[15] Este foi o estágio final do processo de revelação de Deus.
Vamos agora abordar o que a Bíblia fala sobre a doutrina de demônios. Em 1Tm 4.1 lemos algo sobre “doutrina de demônios”.[16] A palavra demônio vem da língua grega (daimo,nion [daimonion]) e significa espírito maligno, demônio.[17] Os demônios são raramente mencionados no Antigo Testamento. Por outro lado, são mencionados muitas vezes nos Evangelhos e nas Epístolas. Jesus esteve em conflito com os demônios por todo o seu ministério terreno. De acordo com as Escrituras, há muitos demônios, ou espíritos malignos, (Mt 12.43-45; Lc 8.29,30). Entretanto, há um só Satanás, ou espírito supremo do mal (Lc 10.17-18). Compare com a expressão “o diabo e seus anjos” (Mt 25. 41).[18]
Devemos entender este texto de 1Tm 4.1 à luz do contexto, que é seu quadro maior. Portanto, analisaremos os versículos de 1 ao 5. No capítulo 3 de 1Timóteo, o apóstolo Paulo está falando sobre as qualificações dos bispos e dos diáconos da Igreja de Cristo. É importante destacar que os bispos, presbíteros e pastores desempenham a mesma função, ou seja,  a de servir e zelar pela Igreja, o corpo de Cristo. Portanto, não há distinção entre esses ofícios, apenas trata-se de três nomes para uma mesma função. Veja At 20.28. Em 1Tm 3.15 Paulo admoesta Timóteo para que fique “ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3.15).[19] Tendo dito isso, Paulo introduz a razão pela qual seu filho na fé deve estar ciente: “alguns apostatarão da fé” (1Tm 3.15). Apostatar é cair da fé ou afastar-se de Deus. O verbo grego (aposth,sontai [apostesontai]) significa desviar-se, cair, retirar-se, torna-se apóstata.  O ato de afastar-se de Deus ou cair da fé pode ser facilitado por falsos mestres (Mt 24.11). A Escritura ensina que a restauração após uma apostasia deliberada é considerada impossível (Hb 6.4-6; 10.26ss).[20]
Esta eminente apostasia virá através de homens por “obedeceram a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (1Tm 4.1) e farão isto através da “hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência” (1Tm 4.2). A palavra cauterizada (kekausthriasme,nwn [kekausteriamenwn]) significa que essas pessoas que se apostataram estão a serviço de Satanás e, como consequência, têm sua consciência marcada com a marca que indica a sua propriedade, isto é, uma marca de que pertencem a Satanás. Esta palavra significa também que a consciência deles ficou insensível à diferença entre o certo e o errado.[21] Com isso fica claro que Satanás está por detrás do erro doutrinário e das heresias.
No entanto, Satanás não dissemina o erro sozinho. É agora que entraremos na análise das doutrinas de homens. O texto de Hb 13 9 diz “não vos deixeis envolver por doutrinas várias e estranhas [...]”. As Escrituras nos advertem muito mais contra os ensinos de falsos mestres e pastores do que contra os erros promovidos por Satanás. Talvez seja por que esses falsos mestres são, na verdade, ministros de Satanás. O texto de 2Co 11.14,15 diz que Satanás se transforma em anjo de luz e é capaz de transformar seus ministros (aqueles que estão a seu serviço) em ministros de justiça. Ou seja, Satanás transfigura seus servos/ministros em ministros de justiça. Estes falsos ministros de justiça parecem serem mestres da parte de Deus, mas não o são. Eles são mentirosos e o fim deles já está decretado.
Hernandes Dias Lopes, pastor presbiteriano, citou em seu livro uma interessante frase do pastor Charles Hogde, também pastor presbiteriano, sobre o erro doutrinário: “Que nenhum homem pense que o erro doutrinário é apenas um pequeno mal. Nenhum caminho que conduz para a perdição já se encontrou mais cheio de gente do que o da falsa doutrina. O erro é um escudo para a consciência; e um venda para os olhos”.[22]
Em Mt 5.19 o Senhor Jesus nos adverte que aqueles que desobedecer os mandamentos da Escritura e os ensinarem assim aos homens, estes serão considerados “mínimos no reino dos céus”. Paulo escreve a Timóteo alertando-o sobre os falsos mestres assim: “Pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações” (1Tm 1.7).[23] Paulo repreende asperamente aqueles que se achavam mestres da lei (uma referência à Escritura), mas que não sabiam nada de fato. Timóteo exerceu seu ministério na cidade de Éfeso (1Tm 1.3). Paulo o deixou por lá para que ele ordenasse “certas pessoas a fim de que não ensinassem outra doutrina” (1Tm 1.3). Paulo não tolerava a falsa doutrina, ao contrário, ele a combatia. O apóstolo Paulo entendia que todo o texto bíblico possui um sentido único, e que se for deturpado, causará danos ao ensino da verdadeira mensagem do Evangelho.
Veja o que o apóstolo Paulo diz para Timóteo sobre os falsos mestres que promoviam falsas doutrinas: “Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem invejas, provocações, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privada da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro” (1Tm 6.3-5). Para o apóstolo Paulo, aqueles que disseminam falsa doutrina o fazem por que não concordam com as palavras do Senhor Jesus. Portanto, estes são enfatuados (orgulhosos) e não entendem nada. O propósito deles é causar todo tipo de males dentro do corpo de Cristo (“invejas, provocações, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim”). Esses homens são insubmissos ao Senhor Jesus.
Novamente o apóstolo Paulo orienta seu filho na fé Timóteo acerca dos falsos mestres e o perigo de seus falsos ensinos em 2Tm 4.3,4: “Pois haverá tempo em que  não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas”. Paulo está dizendo que muitas pessoas não suportariam  a sã doutrina, ou seja, não tolerariam ou não teriam paciência com a sã doutrina. Por não tolerarem a sã doutrina, estas pessoas escolheram seguir mestres que satisfazem seus caprichos e vontades. E o pior é que estas pessoas se recusariam veementemente a ouvir a verdade, pois elas amam o erro. O Senhor Jesus disse que os “homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más” (Jo 3.19). Os versículos 19 ao 21 de João 3 nos mostram a doutrina da depravação humana. O homem por conta do pecado não pode se achegar à luz porque ela denuncia as suas obras más. Os homens amaram mais as obras más do que as boas. O texto de Rm 3.9-18 nos fala sobre a real condição da humanidade que não está na luz, ou seja, em Cristo.
Há muitos outros textos que poderíamos citar sobre as doutrinas de homens, mas não temos tempo suficiente para tratar de todos.[24] O ponto que queremos destacar é que as doutrinas criadas por homens que não são embasadas na Escritura são consideradas pela própria Escritura como falsas doutrinas. E aqueles que as promovem são considerados ministros de Satanás, como vimos em 2Co 11.14,15. Logo, segue-se que qualquer doutrina ou ensino que não está em conformidade com a Palavra de Deus deve ser rejeitado e rechaçado da igreja. Para nós o que basta é a boa e velha sã doutrina, aquela que flui da Palavra de Deus.
Mas por que as falsas doutrinas são criadas? Há duas respostas para isso. A primeira resposta é que as falsas doutrinas surgem devido à insubmissão de algumas pessoas em relação à Escritura. Vimos em alguns textos bíblicos que analisamos que muitas pessoas por serem insubmissas à Palavra de Deus criam novos ensinos. Elas não suportam as palavras de Cristo, pois elas amam as trevas. E há pessoas que não se conformam com a sã doutrina e acabam por seguirem os falsos mestres porque seus ensinos os agradam e se recusam a ouvir a verdade.
A segunda resposta para a nossa pergunta tem a ver com a interpretação do texto bíblico. Cremos que um dos problemas mais grave das igrejas está relacionada com a interpretação. Saber interpretar a Bíblia é de fundamental importância. Se muitos pastores se apercebessem disso não haveria tantas falsas doutrinas.

3. Definição de costumes.
Costumes são princípios morais e éticos estabelecidos por convenção humana. São criados a partir de um ponto de vista ou de uma interpretação de um texto bíblico. Se por um lado doutrina é aquilo que é ensinado pela Escritura, por outro lado os usos e costumes são aquelas exigências pedidas pelas denominações como padrão de conduta de seus membros.
No âmbito pentecostal é comum usar o termo usos e costumes para se referir ao padrão de um cristão. Algumas igrejas proíbem as mulheres de usaram calças, brincos, joias, cortar o cabelo, depilar-se etc. E aos homens lhe são proibidos usar shorts, cabelo cumprido etc. Ainda hoje é muito comum nos Cultos de Doutrina se ensinar usos e costumes e não ensinar as doutrinas que sejam de fato bíblicas. Qual foi a última vez que os pastores ensinaram em seus púlpitos sobre a Doutrina da Bíblia? Quando eles ensinaram sobre a doutrina da inspiração da Bíblia? Quando foi que eles ensinaram sobre a divindade do Espírito Santo? Muitos membros nas igrejas não sabem nem sequer citar um texto bíblico que fala sobre a divindade do Espírito Santo.
Não estamos dizendo que os usos e costumes são desnecessários, acreditamos que eles são importantes. O que estamos querendo dizer é que confundir doutrina com usos e costumes é algo que revela uma ignorância muito grande. Doutrina é tudo aquilo que as Escrituras nos ensinam como regra de fé e de prática; usos e costumes são aquilo que os homens nos ensinam, baseados nas Escrituras ou não.
Portanto, quando alguém diz que “cada igreja tem sua doutrina” ela está revelando que conhece muito pouco das Escrituras e sobre o que de fato é doutrina.

CONCLUSÃO.
            Vimos que existem três tipos de doutrinas e que apenas uma é boa e saudável para o cristão e a igreja. Pudemos observar que as falsas doutrinas nascem nas mentes de pessoas que são instrumentos de Satanás para disseminar o erro doutrinário. Ficou claro também em nossa análise que usos e costumes não têm nada a ver com doutrina.
            Pensamos que o melhor caminho é que muitos pastores devem investir em bons livros de bons autores e aprenderem mais sobre as grandes doutrinas da Bíblia e passarem esse conhecimento para suas ovelhas. Uma igreja fraca de doutrina torna-se um alvo fácil para heresias, apostasias e morte espiritual de seus membros. A liderança deve estar preparada teologicamente para alimentar os membros de sua igreja com conteúdo bíblico. Para isso, há boas escolas de teologia que oferecem conteúdo teológico bom e confiável. A preparação do líder é da mais alta importância.

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Confissões de Fé e catecismos.

Todos os documentos confessionais abaixo estão disponíveis no blog do ministério Entendes o que Lês?  http://blogentendes.blogspot.com.br/p/cremos.html

Breve Catecismo de Westminster. In: Bíblia de Estudo de Genebra. (2009) 2ª ed.  Barueri, SP: Sociedade       

Bíblica    do Brasil. São Paulo: Cultura Cristã.

Catecismo Maior de Westminster. (2013). São Paulo: Cultura Cristã.

Confissão de Fé de Westminster. In: Bíblia de Estudo de Genebra. (2009) 2ª ed.  Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil. São Paulo: Cultura Cristã.

DE BRÉS, Guido; URSINUS, Zacarias (2011) Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg. 3ª ed. São Paulo: Cultura Cristã.



[1] O Credo Apostólico diz o seguinte: Creio em Deus Pai, todo poderoso, Criador do céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao Hades; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à mão direita de Deus Pai todo poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na santa Igreja universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém. (O Breve Catecismo de Westminster. (2002). São Paulo: Cultura Cristã. p. 88).

[2] Veja Gomes, 2016, p. 2-3.
[3] Wiliams (ed.), 2000, p. 96.
[4] A palavra hebraica é xaqEel (leqach) e significa algo recebido, daí o sentido de instrução, doutrina. Esta palavra vem do verbo xaqAl (laqach) que significa tomar, receber. Este verbo ocorre 964 vezes no Antigo Testamento. Cf. Douglas (org.), 2006, p. 367, 368; Mitchel, Pinto, Metzger, 2002, p. 42; Cook, Holmstedt, 2009, p. 224; Chown, 2002, p. 229;.
[5] Douglas, loc.cit.; Elliger, Rudolph (eds.), 1997, p. 345, 718, 1238, 1279; Sayão (ed.), 2003, p. 482, 1160, 1344, 1460.
[6] Douglas (org.), 2006, p. 368.
[7] Ela é aplicada aos cinco primeiros livros do Antigo Testamento hebraico. Confira Gomes, 2016, p. 5.
[8] Mitchel, Pinto, Metzger, op. cit., p. 50; Cook, Holmstedt, op. cit., p. 229; Chown, op. cit., p. 238.
[9] Veja Gomes, op. cit., p. 5.
[10] Douglas, loc. cit.; Sayão (ed.), 1998, p. 444, 449, 598; Mitchel, Pinto, Metzger, op. cit., p. 81; Robinson, Pierpont, 2005, p. 371, 374, 490; Gingrich, Danker, 2012, p. 56; Souter, 1917, p. 65.
[11] Douglas, loc. cit.; Sayão (ed.), op. cit., p. 19, 274; Mitchel, Pinto, Metzger, loc. cit.; Gingrich, Danker, loc. cit.
[12] No texto grego a palavra para doutrina é didaskali,a (didaskalia), Cf. Sayão (ed.), op. cit., p. 603.
[13] CFW I.2.
[14] CB III.
[15] Não cremos que Deus dê novas revelações hoje em dia. Cremos que ele inspira os seus servos para a pregação da Palavra. Deus usou diversos meios para revelar a sua vontade através da história. Isto não significa que não cremos na imutabilidade de Deus (Tg 1.17). Deve ser feita a distinção entre a imutabilidade de Deus e a mesmice de Deus. O fato de crermos na imutabilidade de Deus não significa que Deus vai agir sempre do mesmo modo. Basta ler a Bíblia para que essa ideia seja comprovada. Deus mandou o dilúvio para acabar com a raça humana a fim de iniciar outra. Ninguém espera que Deus faça esse milagre novamente. Deus abriu o mar Vermelho para seu povo passar, e fez isso somente uma vez. Ninguém espera que Deus faça isso novamente, embora se for da sua vontade, ele o fará. 
[16] No texto grego lemos didaskali,aij daimoni,wn (didaskaliais daimoniwn), Sayão (ed.), 1998, p. 587.
[17] Mitchel, Pinto, Metzger, 2002, p. 80; Gingrich, Danker, 2012, p. 49.
[18] Boyer, 1999, p. 185; Williams (ed.), 2000, p. 88.
[19] Na linguagem de Paulo (linguagem paulina), a expressão “o corpo de Cristo” é o modo como ele se refere várias vezes à Igreja.
[20] Williams (ed.), 2000, p. 21,22; Rienecker, Rogers, 1995, p. 463; Sayão (ed.), 1998, p. 587.
[21] Rienecker, Rogers, loc. cit.; Sayão (ed.), loc. cit; Kelly, 1983, p. 96.
[22] Lopes, 2010, p. 339.
[23] Nos Evangelhos, a expressão “mestres da lei” é uma referência aos escribas, que eram aqueles que faziam cópias escritas do Antigo Testamento. De tanto fazerem cópias do Antigo Testamento se tornaram especialistas na lei de Moisés. Entretanto, em 1Tm 1.7 o apóstolo Paulo está se referindo àqueles que queriam ser mestres da lei sem o serem na verdade. Para mais informações veja Williams (ed.), 2000, p.113.
[24] Textos que falam sobre doutrinas falsas: Is 32.6; Mt 16.12; Cl 2.8; Hb 13.9. Textos que advertem contra os falsos mestres: Mt 5.19, 15.9; 1Tm 1.7, 4.2, 6.3; 2Tm 4.3; Tt 1.11; 2Pe 2.1. Textos que falam sobre exemplos de heresias: Mt 15.9; At 15.24; 1Co 11.19; 1Tm 4.1; 2Pe 2.1, 3.17. Estas listas não são exaustivas.