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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

OS TRÊS TIPOS DE DOUTRINAS.


O cristianismo possui um corpo de doutrinas bem completo e complexo. Para o cristão, conhecê-lo é de fundamental importância. Todavia, não é unânime no meio evangélico a consciência da necessidade de estudar e conhecer as doutrinas bíblicas. Por um lado, os  cristãos de igrejas tradicionais e históricas compreendem a necessidade do estudo das Escrituras. Por outro, os cristãos pentecostais e neopentecostais menosprezam um tanto quanto o estudo das Escrituras.
             No âmbito pentecostal e neopentecostal, a ideia doutrina está intrinsicamente ligada a questões de usos e costumes. Questões de vestimentas e estética se tornaram “doutrina” e tomaram o lugar daquilo que é, de fato, é doutrina. Nas igrejas históricas e tradicionais, o estudo das doutrinas sempre teve amplo espaço no cotidiano eclesiástico. O ramo histórico do cristianismo está repleto de confissões de fé e catecismos. Podemos destacar o Credo Apostólico, um dos documentos confessionais mais antigos do Cristianismo. Sua data é incerta, sendo que alguns estudiosos o datam do século II, outros o colocam numa data mais antiga, no século VI.[1]
            Este estudo pretende analisar os três tipos de doutrinas que a Bíblia menciona, tendo em vista que há uma enorme confusão no meio evangélico sobre o que são doutrinas,  a fim de descobrir suas  implicações para o corpo de Cristo. Pensamos que a origem dessa confusão está imbricada à falta de uma boa interpretação das Escrituras. Não são poucos os cristãos que entendem que a Bíblia possui muitas interpretações e que elas dependem da mente do leitor. Na verdade, essa ideia trata-se de um engano muito grande. Quando se diz que um texto bíblico possui muitas interpretações, o que, na verdade, está sendo feito é esvaziar a Bíblia de sua autoridade.
            Rejeitamos a ideia de pluralidades na interpretação das Escrituras. Não cremos que ela possui várias interpretações. As Escrituras se nos revelam que possui apenas um único autor, o Espírito Santo (2Pe 1.20,21). Isto significa que há somente uma mente por detrás do texto. O Espírito Santo tinha uma intenção para comunicar através dos elementos humanos que ele usou para transmitir sua mensagem de salvação, e esta intenção é única e deve ser procurada e entendida.

1. Definição de doutrina.
            Sempre é um bom caminho iniciar fazendo definições. A falta de boas definições é perigosa. Pensamos que a melhor maneira de definir a palavra doutrina é buscar seu significado nas línguas originais da Bíblia.  O Antigo Testamento foi escrito originalmente em hebraico e aramaico; o Novo Testamento foi escrito em grego.[2] A palavra doutrina, tal como conhecemos em nosso idioma, vem da língua latina (doctrina) e significa ensino.
            No Antigo Testamento, a palavra doutrina traz a ideia de um corpo de ensinamentos revelados.[3] Temos duas palavras no Antigo Testamento que trazem a ideia de doutrina. A primeira é a palavra leqach (lê-se lecar) que significa “o que é recebido”[4] e aparece em Dt 32.2; Jó 11.4; Pv 4.2; Is 29.24.[5]
            A segunda palavra é o substantivo torah.[6] Esta palavra é bem conhecida por nós.[7] Ela transmite a ideia de um corpo de ensino. Seu significado é instrução, ditame, direção, lei.[8] Esta palavra é usada para se referir aos cinco primeiros livros da Bíblia, também chamados de Pentateuco.[9]
No Novo testamento temos também duas palavras. A primeira é a palavra didaskalía (didaskali,a) que é uma palavra polissêmica. Ela significa tanto o ato como o conteúdo. Em Rm 12.7 (didaskali,a| [didaskalia]); Rm 15.4 (didaskalíi,an [didaskalian]); 2Tm 3.16 (didaskalíi,an [didaskalian]) a palavra significa instrução, ensino num sentido ativo. Num sentido mais passivo (aquilo que é ensinado), a palavra aparece em Mc 7.7; Cl 2.22; 1Tm 1.10; 4.6; 2Tm 3.10; Tt 1.9.[10]
            A segunda palavra é didaquê (didach,). Esta palavra também significa tanto o ato de ensinar como o conteúdo do ensino. Ela se refere ao ensino de Jesus (Mt 7.28: “... estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina [didach/|]) e que seu ensino era de origem divina (Jo 7.16,17). Com o significado de ensino como uma atividade, instrução, a palavra aparece em Mc 4.2; 1Co 14.6; 2Tm 4.2. Em um sentido passivo (o que é ensinado), ensino, instrução, ela aparece em Mt 16.12; Mc 1.27; Jo 7.16,17 [in loco]; Rm 16.17; Ap 2.14.[11]

2. Tipos de doutrinas.
            A Bíblia nos apresenta três tipos de sistemas doutrinários e que vamos analisar a partir de agora. A Escritura nos fala sobre a doutrina de Deus, doutrinas de demônios e doutrinas de homens.
Vamos iniciar falando sobre a doutrina de Deus. Em Tt 2.10 temos a expressão “doutrina de Deus”.[12] A doutrina de Deus está expressa em toda a Bíblia. Quando chamamos a Bíblia de “a Palavra de Deus” estamos querendo dizer que ela é aquilo que Deus falou. Os liberais, que não acreditam na inspiração plena e na inerrância das Escrituras, costumam dizer que a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas somente contêm a palavra de Deus. Com esta frase o que eles querem é dizer é que alguns textos da Bíblia são, de fato, a Palavra de Deus, e que outros textos não o são. É claro que não aceitamos esse ensino dos liberais. Cremos, e disso estamos firmemente convencidos, que a Bíblia toda é a palavra de Deus, nossa única regra de fé e de prática (Ef 2.20; 2Tm 3.16; Mt 11.27).[13] Deus mandou seus servos escreverem sua Palavra revelada (Êx 34.27; Sl 102.18; Ap 1.11,19).[14]
O texto de Rm 15.4 diz que tudo o que foi escrito serve para o nosso ensino.  O único meio para conhecermos os ensinos/doutrinas de Deus é ler sua Palavra e meditar nela (Sl 1.1,2). Deus é um ser pessoal e que se revela nas Escrituras. Sua vontade e desejos também estão descritos nas Escrituras Sagradas. Deus não mais dá revelações para o seu povo como fazia antigamente. Os textos de Is 8.10; 1Tm 3.15; Hb 1.1,2; 2Pe 1.9 são  claro em afirmar isso. Primeiramente Deus se revelou aos profetas do Antigo Testamento e os inspirou a escrever sua mensagem. Em seguida Deus se revelou através da pessoa de seu Filho, Jesus Cristo, Jo 1.14.[15] Este foi o estágio final do processo de revelação de Deus.
Vamos agora abordar o que a Bíblia fala sobre a doutrina de demônios. Em 1Tm 4.1 lemos algo sobre “doutrina de demônios”.[16] A palavra demônio vem da língua grega (daimo,nion [daimonion]) e significa espírito maligno, demônio.[17] Os demônios são raramente mencionados no Antigo Testamento. Por outro lado, são mencionados muitas vezes nos Evangelhos e nas Epístolas. Jesus esteve em conflito com os demônios por todo o seu ministério terreno. De acordo com as Escrituras, há muitos demônios, ou espíritos malignos, (Mt 12.43-45; Lc 8.29,30). Entretanto, há um só Satanás, ou espírito supremo do mal (Lc 10.17-18). Compare com a expressão “o diabo e seus anjos” (Mt 25. 41).[18]
Devemos entender este texto de 1Tm 4.1 à luz do contexto, que é seu quadro maior. Portanto, analisaremos os versículos de 1 ao 5. No capítulo 3 de 1Timóteo, o apóstolo Paulo está falando sobre as qualificações dos bispos e dos diáconos da Igreja de Cristo. É importante destacar que os bispos, presbíteros e pastores desempenham a mesma função, ou seja,  a de servir e zelar pela Igreja, o corpo de Cristo. Portanto, não há distinção entre esses ofícios, apenas trata-se de três nomes para uma mesma função. Veja At 20.28. Em 1Tm 3.15 Paulo admoesta Timóteo para que fique “ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3.15).[19] Tendo dito isso, Paulo introduz a razão pela qual seu filho na fé deve estar ciente: “alguns apostatarão da fé” (1Tm 3.15). Apostatar é cair da fé ou afastar-se de Deus. O verbo grego (aposth,sontai [apostesontai]) significa desviar-se, cair, retirar-se, torna-se apóstata.  O ato de afastar-se de Deus ou cair da fé pode ser facilitado por falsos mestres (Mt 24.11). A Escritura ensina que a restauração após uma apostasia deliberada é considerada impossível (Hb 6.4-6; 10.26ss).[20]
Esta eminente apostasia virá através de homens por “obedeceram a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (1Tm 4.1) e farão isto através da “hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência” (1Tm 4.2). A palavra cauterizada (kekausthriasme,nwn [kekausteriamenwn]) significa que essas pessoas que se apostataram estão a serviço de Satanás e, como consequência, têm sua consciência marcada com a marca que indica a sua propriedade, isto é, uma marca de que pertencem a Satanás. Esta palavra significa também que a consciência deles ficou insensível à diferença entre o certo e o errado.[21] Com isso fica claro que Satanás está por detrás do erro doutrinário e das heresias.
No entanto, Satanás não dissemina o erro sozinho. É agora que entraremos na análise das doutrinas de homens. O texto de Hb 13 9 diz “não vos deixeis envolver por doutrinas várias e estranhas [...]”. As Escrituras nos advertem muito mais contra os ensinos de falsos mestres e pastores do que contra os erros promovidos por Satanás. Talvez seja por que esses falsos mestres são, na verdade, ministros de Satanás. O texto de 2Co 11.14,15 diz que Satanás se transforma em anjo de luz e é capaz de transformar seus ministros (aqueles que estão a seu serviço) em ministros de justiça. Ou seja, Satanás transfigura seus servos/ministros em ministros de justiça. Estes falsos ministros de justiça parecem serem mestres da parte de Deus, mas não o são. Eles são mentirosos e o fim deles já está decretado.
Hernandes Dias Lopes, pastor presbiteriano, citou em seu livro uma interessante frase do pastor Charles Hogde, também pastor presbiteriano, sobre o erro doutrinário: “Que nenhum homem pense que o erro doutrinário é apenas um pequeno mal. Nenhum caminho que conduz para a perdição já se encontrou mais cheio de gente do que o da falsa doutrina. O erro é um escudo para a consciência; e um venda para os olhos”.[22]
Em Mt 5.19 o Senhor Jesus nos adverte que aqueles que desobedecer os mandamentos da Escritura e os ensinarem assim aos homens, estes serão considerados “mínimos no reino dos céus”. Paulo escreve a Timóteo alertando-o sobre os falsos mestres assim: “Pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações” (1Tm 1.7).[23] Paulo repreende asperamente aqueles que se achavam mestres da lei (uma referência à Escritura), mas que não sabiam nada de fato. Timóteo exerceu seu ministério na cidade de Éfeso (1Tm 1.3). Paulo o deixou por lá para que ele ordenasse “certas pessoas a fim de que não ensinassem outra doutrina” (1Tm 1.3). Paulo não tolerava a falsa doutrina, ao contrário, ele a combatia. O apóstolo Paulo entendia que todo o texto bíblico possui um sentido único, e que se for deturpado, causará danos ao ensino da verdadeira mensagem do Evangelho.
Veja o que o apóstolo Paulo diz para Timóteo sobre os falsos mestres que promoviam falsas doutrinas: “Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem invejas, provocações, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privada da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro” (1Tm 6.3-5). Para o apóstolo Paulo, aqueles que disseminam falsa doutrina o fazem por que não concordam com as palavras do Senhor Jesus. Portanto, estes são enfatuados (orgulhosos) e não entendem nada. O propósito deles é causar todo tipo de males dentro do corpo de Cristo (“invejas, provocações, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim”). Esses homens são insubmissos ao Senhor Jesus.
Novamente o apóstolo Paulo orienta seu filho na fé Timóteo acerca dos falsos mestres e o perigo de seus falsos ensinos em 2Tm 4.3,4: “Pois haverá tempo em que  não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas”. Paulo está dizendo que muitas pessoas não suportariam  a sã doutrina, ou seja, não tolerariam ou não teriam paciência com a sã doutrina. Por não tolerarem a sã doutrina, estas pessoas escolheram seguir mestres que satisfazem seus caprichos e vontades. E o pior é que estas pessoas se recusariam veementemente a ouvir a verdade, pois elas amam o erro. O Senhor Jesus disse que os “homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más” (Jo 3.19). Os versículos 19 ao 21 de João 3 nos mostram a doutrina da depravação humana. O homem por conta do pecado não pode se achegar à luz porque ela denuncia as suas obras más. Os homens amaram mais as obras más do que as boas. O texto de Rm 3.9-18 nos fala sobre a real condição da humanidade que não está na luz, ou seja, em Cristo.
Há muitos outros textos que poderíamos citar sobre as doutrinas de homens, mas não temos tempo suficiente para tratar de todos.[24] O ponto que queremos destacar é que as doutrinas criadas por homens que não são embasadas na Escritura são consideradas pela própria Escritura como falsas doutrinas. E aqueles que as promovem são considerados ministros de Satanás, como vimos em 2Co 11.14,15. Logo, segue-se que qualquer doutrina ou ensino que não está em conformidade com a Palavra de Deus deve ser rejeitado e rechaçado da igreja. Para nós o que basta é a boa e velha sã doutrina, aquela que flui da Palavra de Deus.
Mas por que as falsas doutrinas são criadas? Há duas respostas para isso. A primeira resposta é que as falsas doutrinas surgem devido à insubmissão de algumas pessoas em relação à Escritura. Vimos em alguns textos bíblicos que analisamos que muitas pessoas por serem insubmissas à Palavra de Deus criam novos ensinos. Elas não suportam as palavras de Cristo, pois elas amam as trevas. E há pessoas que não se conformam com a sã doutrina e acabam por seguirem os falsos mestres porque seus ensinos os agradam e se recusam a ouvir a verdade.
A segunda resposta para a nossa pergunta tem a ver com a interpretação do texto bíblico. Cremos que um dos problemas mais grave das igrejas está relacionada com a interpretação. Saber interpretar a Bíblia é de fundamental importância. Se muitos pastores se apercebessem disso não haveria tantas falsas doutrinas.

3. Definição de costumes.
Costumes são princípios morais e éticos estabelecidos por convenção humana. São criados a partir de um ponto de vista ou de uma interpretação de um texto bíblico. Se por um lado doutrina é aquilo que é ensinado pela Escritura, por outro lado os usos e costumes são aquelas exigências pedidas pelas denominações como padrão de conduta de seus membros.
No âmbito pentecostal é comum usar o termo usos e costumes para se referir ao padrão de um cristão. Algumas igrejas proíbem as mulheres de usaram calças, brincos, joias, cortar o cabelo, depilar-se etc. E aos homens lhe são proibidos usar shorts, cabelo cumprido etc. Ainda hoje é muito comum nos Cultos de Doutrina se ensinar usos e costumes e não ensinar as doutrinas que sejam de fato bíblicas. Qual foi a última vez que os pastores ensinaram em seus púlpitos sobre a Doutrina da Bíblia? Quando eles ensinaram sobre a doutrina da inspiração da Bíblia? Quando foi que eles ensinaram sobre a divindade do Espírito Santo? Muitos membros nas igrejas não sabem nem sequer citar um texto bíblico que fala sobre a divindade do Espírito Santo.
Não estamos dizendo que os usos e costumes são desnecessários, acreditamos que eles são importantes. O que estamos querendo dizer é que confundir doutrina com usos e costumes é algo que revela uma ignorância muito grande. Doutrina é tudo aquilo que as Escrituras nos ensinam como regra de fé e de prática; usos e costumes são aquilo que os homens nos ensinam, baseados nas Escrituras ou não.
Portanto, quando alguém diz que “cada igreja tem sua doutrina” ela está revelando que conhece muito pouco das Escrituras e sobre o que de fato é doutrina.

CONCLUSÃO.
            Vimos que existem três tipos de doutrinas e que apenas uma é boa e saudável para o cristão e a igreja. Pudemos observar que as falsas doutrinas nascem nas mentes de pessoas que são instrumentos de Satanás para disseminar o erro doutrinário. Ficou claro também em nossa análise que usos e costumes não têm nada a ver com doutrina.
            Pensamos que o melhor caminho é que muitos pastores devem investir em bons livros de bons autores e aprenderem mais sobre as grandes doutrinas da Bíblia e passarem esse conhecimento para suas ovelhas. Uma igreja fraca de doutrina torna-se um alvo fácil para heresias, apostasias e morte espiritual de seus membros. A liderança deve estar preparada teologicamente para alimentar os membros de sua igreja com conteúdo bíblico. Para isso, há boas escolas de teologia que oferecem conteúdo teológico bom e confiável. A preparação do líder é da mais alta importância.

BIBLIOGRAFIA.

Edições do Novo Testamento em grego.

ROBINSON, Maurice A; PIERPONT, William G. (2005) The New Testament in the original Greek: Byzantine             textform. Southborough, MA: Chilton Book Publishing.

SAYÃO, L. A. T. (ed.) (1998) Novo Testamento trilíngue: Grego, Português e Inglês. São Paulo: Vida.

Edição da Bíblia Hebraica.

ELLIGER, Karl; RUDOLPH, Wilhelm (eds.) (1997) Mybwtkw My'ybn hrwt - Biblia Hebraica                Stuttgartensia. 5 ed. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft.

SAYÃO, L. A. T. (ed.) (2003) Antigo testamento poliglota: hebraico, grego, português, inglês. São Paulo: Vida      Nova/Sociedade Bíblica do Brasil.

Dicionários de línguas bíblicas.

CHOWN, Gordon (2002) Vocabulário Hebraico-Português. In: Gramática hebraica: como ler o antigo testamento na língua original. Rio de Janeiro: CPAD.

COOK, John A; HOLMSTEDT, Robert D. (2009) Glossary. In: Biblical hebrew: a student grammar: Draft Copy. [S.l.]. [s.n.].

MITCHEL, Larry A.; PINTO, Carlos O. C; METZGER, Bruce M. (2002) Pequeno Dicionário de
                Línguas Bíblicas: Hebraico e Grego. São Paulo: Vida Nova.

RIENECKER, Fritz; ROGERS, Cleon. (1995) Chave Linguística do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova.

SOUTER, Alexander (1917) A pocket lexicon Greek New Testament. Oxford: Clarendon Press.

GINGRICH, F. Wilbur; DANKER, Frederick W. (2012) Léxico do Novo Testamento grego - português. São Paulo: Vida Nova.

Dicionários bíblicos e enciclopédias.

BOYER, Orlando. (1999) Pequena enciclopédia bíblica. 7ª ed. São Paulo: Vida.

DOUGLAS, J. D. (org.) (2006) O Novo dicionário da Bíblia. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova.

ELWELL, Walter A. (ed.) (2009) Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova.

WILLIAMS, Derek (ed.) (2000) Dicionário bíblico vida nova. São Paulo: Vida Nova.

Comentários bíblicos.

KELLY, John N.D. (1983) I e II Timóteo e Tito: introdução e comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: 
Mundo Cristão.

LOPES, Hernandes Dias (2010) Romanos: o evangelho segundo Paulo. Comentários expositivos Hagnos. São 
Paulo, SP: Hagnos.
Teologia.
GOMES, Samuel S. (2016). A Bíblia: uma introdução. (Coleção A Bíblia, Parte 1)

______, (2016). Batalha espiritual: análise de Ef 6.10-20

MAIA, Herminsten. (2007) Fundamentos da teologia reformada. Coleção teologia brasileira. São Paulo:          Mundo Cristão.

MIRANDA, Valtair A. (2011) Fundamentos da teologia bíblica. Coleção teologia brasileira. São Paulo:          Mundo Cristão.

Confissões de Fé e catecismos.

Todos os documentos confessionais abaixo estão disponíveis no blog do ministério Entendes o que Lês?  http://blogentendes.blogspot.com.br/p/cremos.html

Breve Catecismo de Westminster. In: Bíblia de Estudo de Genebra. (2009) 2ª ed.  Barueri, SP: Sociedade       

Bíblica    do Brasil. São Paulo: Cultura Cristã.

Catecismo Maior de Westminster. (2013). São Paulo: Cultura Cristã.

Confissão de Fé de Westminster. In: Bíblia de Estudo de Genebra. (2009) 2ª ed.  Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil. São Paulo: Cultura Cristã.

DE BRÉS, Guido; URSINUS, Zacarias (2011) Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg. 3ª ed. São Paulo: Cultura Cristã.



[1] O Credo Apostólico diz o seguinte: Creio em Deus Pai, todo poderoso, Criador do céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao Hades; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à mão direita de Deus Pai todo poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na santa Igreja universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém. (O Breve Catecismo de Westminster. (2002). São Paulo: Cultura Cristã. p. 88).

[2] Veja Gomes, 2016, p. 2-3.
[3] Wiliams (ed.), 2000, p. 96.
[4] A palavra hebraica é xaqEel (leqach) e significa algo recebido, daí o sentido de instrução, doutrina. Esta palavra vem do verbo xaqAl (laqach) que significa tomar, receber. Este verbo ocorre 964 vezes no Antigo Testamento. Cf. Douglas (org.), 2006, p. 367, 368; Mitchel, Pinto, Metzger, 2002, p. 42; Cook, Holmstedt, 2009, p. 224; Chown, 2002, p. 229;.
[5] Douglas, loc.cit.; Elliger, Rudolph (eds.), 1997, p. 345, 718, 1238, 1279; Sayão (ed.), 2003, p. 482, 1160, 1344, 1460.
[6] Douglas (org.), 2006, p. 368.
[7] Ela é aplicada aos cinco primeiros livros do Antigo Testamento hebraico. Confira Gomes, 2016, p. 5.
[8] Mitchel, Pinto, Metzger, op. cit., p. 50; Cook, Holmstedt, op. cit., p. 229; Chown, op. cit., p. 238.
[9] Veja Gomes, op. cit., p. 5.
[10] Douglas, loc. cit.; Sayão (ed.), 1998, p. 444, 449, 598; Mitchel, Pinto, Metzger, op. cit., p. 81; Robinson, Pierpont, 2005, p. 371, 374, 490; Gingrich, Danker, 2012, p. 56; Souter, 1917, p. 65.
[11] Douglas, loc. cit.; Sayão (ed.), op. cit., p. 19, 274; Mitchel, Pinto, Metzger, loc. cit.; Gingrich, Danker, loc. cit.
[12] No texto grego a palavra para doutrina é didaskali,a (didaskalia), Cf. Sayão (ed.), op. cit., p. 603.
[13] CFW I.2.
[14] CB III.
[15] Não cremos que Deus dê novas revelações hoje em dia. Cremos que ele inspira os seus servos para a pregação da Palavra. Deus usou diversos meios para revelar a sua vontade através da história. Isto não significa que não cremos na imutabilidade de Deus (Tg 1.17). Deve ser feita a distinção entre a imutabilidade de Deus e a mesmice de Deus. O fato de crermos na imutabilidade de Deus não significa que Deus vai agir sempre do mesmo modo. Basta ler a Bíblia para que essa ideia seja comprovada. Deus mandou o dilúvio para acabar com a raça humana a fim de iniciar outra. Ninguém espera que Deus faça esse milagre novamente. Deus abriu o mar Vermelho para seu povo passar, e fez isso somente uma vez. Ninguém espera que Deus faça isso novamente, embora se for da sua vontade, ele o fará. 
[16] No texto grego lemos didaskali,aij daimoni,wn (didaskaliais daimoniwn), Sayão (ed.), 1998, p. 587.
[17] Mitchel, Pinto, Metzger, 2002, p. 80; Gingrich, Danker, 2012, p. 49.
[18] Boyer, 1999, p. 185; Williams (ed.), 2000, p. 88.
[19] Na linguagem de Paulo (linguagem paulina), a expressão “o corpo de Cristo” é o modo como ele se refere várias vezes à Igreja.
[20] Williams (ed.), 2000, p. 21,22; Rienecker, Rogers, 1995, p. 463; Sayão (ed.), 1998, p. 587.
[21] Rienecker, Rogers, loc. cit.; Sayão (ed.), loc. cit; Kelly, 1983, p. 96.
[22] Lopes, 2010, p. 339.
[23] Nos Evangelhos, a expressão “mestres da lei” é uma referência aos escribas, que eram aqueles que faziam cópias escritas do Antigo Testamento. De tanto fazerem cópias do Antigo Testamento se tornaram especialistas na lei de Moisés. Entretanto, em 1Tm 1.7 o apóstolo Paulo está se referindo àqueles que queriam ser mestres da lei sem o serem na verdade. Para mais informações veja Williams (ed.), 2000, p.113.
[24] Textos que falam sobre doutrinas falsas: Is 32.6; Mt 16.12; Cl 2.8; Hb 13.9. Textos que advertem contra os falsos mestres: Mt 5.19, 15.9; 1Tm 1.7, 4.2, 6.3; 2Tm 4.3; Tt 1.11; 2Pe 2.1. Textos que falam sobre exemplos de heresias: Mt 15.9; At 15.24; 1Co 11.19; 1Tm 4.1; 2Pe 2.1, 3.17. Estas listas não são exaustivas.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

COMO INTERPRETAR A BÍBLIA.

Todo cristão que ama ao Senhor Deus e deseja conhecê-lo deve ser um leitor das Escrituras. Deus se nos revelou através de um livro, e para conhecê-lo devemos ler este livro. Não há outro meio para que isso aconteça.

Há textos nas Escriuras que são de fácil entendimento, mas há outros que são extremamente complicados. Como lidar com essas duas tensões? Como interpretar um texto e descobrir seu sentido e significado?

Saber ler a Bíblia e intrepretá-la é algo da mais alta importância. A Hermenêutica, a ciência que lida com a interpretação de textos, tem como objetivio.

Se você deseja conhecer alguns princípios básicos de interpretação, recomendamos que você assista a este vídeo do Rev. Augustus Nicodemus, gravado em  dezembro de 2013, na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, onde ele foi pastor auxiliar.

Neste vídeo, o Rev. Augustus dá algumas dicas importantes sobre como podemos interpretar as Escrituras, levando em consideração o método gramático-histórico de interpretação da Bíblia.

Esperamos que você seja um abençoado com essas dicas!


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

BREVE ESTUDO SOBRE O ESPÍRITO SANTO.

O Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade (Mt 3.1,17; Jo 14.16; At 10.38), de igual substância, majestade e glória com o Pai e com o Filho, verdadeiro e eterno Deus, como nos ensinam as Sagradas Escrituras (Gn 1.2; Mt 28.19; At 5.3-4; 1Co 2.10; 1Co 6.11; 1Jo 5.6). Ele procede do Pai e do Filho desde a eternidade. Ele não foi feito, nem criado, nem gerado; mas procede de ambos (Jo 14.15-26; Jo 15.26; Rm 8.9; Gl 4.6).[1]
            O Espírito Santo não é uma força cósmica, uma energia ou um fluído como ensinam algumas seitas do cristianismo. A Bíblia nos apresenta o Espírito Santo como um ser que tem personalidade, e como ser pessoal, ele tem todas as características de uma pessoa: intelecto, volição e emoção. Veja a tabela baixo:[2]
INTELECTO
VOLIÇÃO
EMOÇÃO
Ele pensa: “E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos” (Rm 8.27; cf. Is 11.2; 1Co 2.10,11).
Ele escolhe: “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1Co 12.11).
Ele sente: “Mas eles foram rebeldes e contristaram o seu Espírito Santo, pelo que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles” (Is 63.10; cf. At 7.51; Rm 15.30; Ef 4.30).

            Além de nos mostrar as características pessoas do Espírito Santo, a Bíblia nos mostra também os seus atributos divinos. Se por um lado existem grupos que negam a pessoalidade do Espírito Santo, por outro há grupos que negam veementemente sua divindade. Todavia, o testemunho bíblico a respeito da divindade plena do Espírito Santo é inquestionável. Veja a tabela abaixo:[3]
DIVINDADE
ETERNIDADE
ONIPRESENÇA
ONISCIÊNCIA
“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória de Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo o Senhor, o Espírito” (2Co 3.18).
“Muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!” (Hb 9.14).
“Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?” (Sl 139.7).
Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito, porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus” (1Co 2.10).
           
Em At 5.3,4 temos a narrativa descritiva do pecado de Ananias e Safira, sua esposa. Eles haviam vendido uma propriedade e fingiram dar todo o dinheiro da venda aos apóstolos. O problema não foi a questão do dinheiro, mas sim, a intenção do casal em enganar os apóstolos, e pensar ser possível esconder algo do Espírito Santo. Pedro comparou a mentira ao Espírito Santo (At 5.3) como sendo a mesma coisa de mentir a Deus (At 5.4).
Há textos no Novo Testamento em que o Espírito Santo é colocado em pé de igualdade com Deus. Para exemplificar, vejamos o texto de 1Co 3.16,17. Nos versículos 16 e 17, Paulo diz aos seus leitores que eles são templo de Deus e que seu Espírito habita neles. Já no capítulo 6, Paulo diz que o corpo deles é o templo do Espírito que neles habita (1Co 6. 19,20). Deus e  Espírito Santo são colocados em pé de igualdade e fazendo o mesmo papel – habitar nos cristãos. O Espírito Santo é equiparado com o Pai e com o Filho na formula batismal (Mt 28.19) e na benção paulina em 2Co 13.14 e 1Pe 1.2 que diz: “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas”.[4]

(Este texto foi extraído do estudo "A promessa e o derramento do Espírito Santo", escrito por Samuel Sousa Gomes).


BIBLIOGRAFIA.

1. Teologia Sistemática.

ERICKSON, Millard J. (1997) Introdução à teologia sistemática. São Paulo: Vida Nova.

HOUSE, H. Wayne (2000) Teologia cristã em quadros. São Paulo: Vida.

2. Confissões de Fé e catecismos.

Todos os documentos confessionais abaixo estão disponíveis no blog do ministério 
Entendes o que Lês?, clique aqui para ver.

Catecismo Maior de Westminster. (2013). São Paulo: Cultura Cristã.

DE BRÉS, Guido; URSINUS, Zacarias (2011) Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg. 3ª ed. São Paulo: Cultura Cristã.





[1] Confissão Belga, Artigo 11; Catecismo Maior de Westminster, pergunta 7.
[2] House, 2000, p. 73.
[3] House, loc. cit.
[4] Erickson, 1997, p. 131.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

COMENTÁRIO DO SALMO 133.


Este salmo davídico se volta para importância da comunhão e do relacionamento adequado na comunidade. Este salmo também é muito cantado nos dias de hoje pelos judeus em Jerusalém. Com vimos acima, esse salmo é pós-exílico, ou seja, foi escrito depois do cativeiro babilônico, que durou de 586 a.C. até 539 a.C.

Há uma combinação estranha nesse salmo, pois sabemos que óleo e orvalho não se misturam! Que relação esses elementos têm a ver com a união fraternal? O verso dois descreve que esse “viver em união” deve ser como o óleo precioso derramado desde a cabeça, e que desce sobre a barba de Arão até a gola de suas veste. Isto se trata de uma referência à consagração do sacerdote.  O óleo deveria descer sobre toda a sua veste sacerdotal. Portanto, entendemos que a consagração deve ser plena e absoluta. A ideia que o texto pretende transmitir é a seguinte: a união entre os irmãos deve ter relacionamento, santidade e santificação. Não pode haver uma verdadeira união sem santidade perante Deus. E essa santificação deve produzir um ambiente de confraternização entre os irmãos. O importante matemático e filósofo cristão francês Blaise Pascal disse que “o amor não tem idade: está sempre nascendo”.
           
O Salmo 133 diz também que a união fraternal é como o orvalho do monte Hermom quando desce sobre os montes de Sião. O monte Hermom está situado numa região muito marcada pela humidade por ser cheia de água. Isso faz um contraste com as regiões desérticas do Sul da Palestina. Portanto, a região do Hermom é marcada pela prosperidade e por frutificação. Logo, a união que Deus deseja é acompanhada pela benção da santificação, da prosperidade e da frutificação que Deus concede a partir dos montes de Sião (ver. 3). O importante é que o Senhor é quem sustenta isso. É uma benção completa para todos nós.

O Salmo 133 expressa os segredos do avivamento e da efusão do Espírito Santo, que é o resultado da união dos filhos de Deus. O óleo (verso 2) e o orvalho (versículo 3) referido no Salmo 133 representa a presença do Espírito Santo no meio de Sua Igreja. É a presença do Senhor no corpo de Cristo que traz a unidade no coração do homem. O fato de que o óleo escorre da cabeça para as vestes simboliza o fato de que, quando a liderança é ungida em primeiro lugar, eles são capazes de transmitir esta unção ao povo.

Salmo 133.1: Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!
Este verso no original hebraico pode ser traduzido assim de forma ipsis litteris: “Veja! Como é bom e amável que os irmãos sentem-se juntos”.[1] A ideia do texto hebraico é de transmitir uma unidade concreta. Todos se sentam um do lado do outro, ao mesmo tempo. Esta ideia torna-se clara com o uso da palavra daxAy (yāHad junto, ao mesmo tempo). O verso 1 é um provérbio sapiencial e retrata a beleza e a unidade entre os irmãos. O salmista explica essa comunhão com os versos seguintes, usando dois elementos interessantes: o óleo da unção e o orvalho da região do monte Hermom.[2]

Salmo 133.2: É como o óleo precioso sobre a cabeçaa, que desce sobre a barbab, a barba de Arãog, e que desce à orla das suas vestesd.

a. É como o óleo precioso. Este é o óleo ou azeite da santa unção, e era “um perfume composto segundo a arte do perfumista”, Êx 30.22-33. Era produzido dos seguintes produtos: 1. Mirra : Goma, resina odorífica, medicinal, produzida pelo balsamodendro (Bálsamo, líquido aromático); 2. Canela aromática: Árvore laurácea  de casca odorífica, usada como especiaria; 3. Cálamo: Planta que exalava um doce cheiro (Ct 4.14), vinha de terras longínquas (Jr 6.20), da Arábia ou da Índia (Ez 27.19); 4. Cássia. Casca aromática semelhante à canela, empregada em medicina, vinha da Arábia ou da Índia (Ez 27.19); 5. Azeite de Oliva. Óleo extraído de azeitonas ou de outras frutas ou das gorduras de certos animais.

b. Sobre a barba. Na cultura judaica, a barba era símbolo de beleza, dignidade e virilidade.

g. Arão. אַהֲרוֹן (ahărôn) – “aquele que traz luz”. Filho de Aarão e Joquebede (Êx 6.20), e irmão mais velho de Moisés e Miriã (Nm 26.59).[3] Foi o primeiro sumo sacerdote da nação de Israel. Descendia da tribo de Levi (Êx 6.16-20).  Nasceu três anos antes de Moisés, no Egito (Êx 7.7). Servia como boca de Moisés, por ter o dom da palavra, Êx 4.16,17. Arão morreu com cento e vinte e três anos de idade, no monte Hor (situado na região de Edom, Nm 20.22; 33.37), Nm 20.24-29; 33.38,39. [4]

d. Orla das suas vestes. A respeito da vestimenta do sumo sacerdote, confira o texto de Êx 28.1-29.

Salmo 133.3: Como o orvalhoa do Hermomb, que desce sobre os montes de Siãog; porque ali od- Senhore ordena a benção e a vida para sempre-d.

a. Orvalho. Em hebraico é laX (al) e significa orvalho, chuva fina, névoa noturna, garoa. Orvalho é um tipo de depósito de gotas de águas resultantes de condensação de vapor, na superfície de objetos que permanecem ao ar livre durante a noite. O orvalho forma-se nas noites claras, porque nelas as superfícies descobertas irradiam calor para a atmosfera. A maior parte dos objetos, inclusive folhas de capim e pétalas de flores, irradiam calor melhor que o ar e, como resultado, ficam durante a noite, mais frios que este. A formação de orvalho é mantida pela difusão de vapor de água.[5]

b. Hermom. Em hebraico é NOwmr;ex (Hermôn) e significa sagrado, um santuário.
É muito provável que o nome Hermom tenha se originado devido aos santuários consagrados a Baal, localizados ali desde os tempos anteriores ao Êxodo (Js 11.27). Baal-Hermom (Jz 3.3) e  Baal-Gade (Js 13.5) eram lugares reputados como locais sagrados pelos habitantes originais de Canaã, e esses lugares ficavam próximos ao monte Hermom. O monte Hermom recebe outros nomes dentro do texto bíblico. Em Dt 4.48 é chamado de Siom (NO'yiiOS - Siôn elevado, imponente). Os amorreus o chamavam de Senir, Dt 3.8,9 (ryinOS; - Senir montaha de neve). Mas ao que nos parece, este nome se refere apenas a uma parte da montanha do Hermom como podemos analisar em Ct 4.8 (cf. 1Cr 5.23). Por fim, os sidônios o chamavam de Siriom, Dt 3.8,9 (NOyr;OiS - Sîryôn peitoral). O Hermom formava a fronteira Norte de Israel até onde chegaram as conquistas dos hebreus sobre os amorreus, sob a direção de Moisés e Josué, Dt 3.8,9; Js 11.3,17, 12.15, 13.5,11; 1Cr 5.23. É também o extremo sul da região da Anti-Líbano. O Hermom está entre 2.800 a 3.000 metros acima do nível do mar, suas montanhas tem 32 Km de comprimentos e três picos , sendo que dois deles são os mais altos da Palestina ou em sua redondeza. Nele se encontram as nascentes do rio Jordão. A neve nunca desaparece do cume durante o ano todo, causando orvalhos abundantes em tremendo contraste com a terra ressequida da região Sul. O seu degelo é uma das principais fontes alimentadoras do Jordão. Outro fato interessante a respeito do Hermom é que sua aproximidade de Cesareia de Filipe tem levado alguns estudiosos a sugerirem que o Hermom é o “alto monte” da Transfiguração (Mt 17.1,9; Mc 9.2,9; Lc 9.28). Cerca de uma semana antes da Transfiguração, o Senhor esteve na região de Cesareia de Filipe, ao sul do Hermom, e alguns estudiosos consideram que Ele se dirigiu para o Norte, para as colinas do Hermom, ao invés de ir para o Sudeste, para o monte Tabor, o local tradicionalmente aceito como o monte da Transfiguração.[6]

A palavra transfiguração que aparece tanto Mt 17.2 bem como em Mc 17.2  no texto grego é o vocábulo metemorfw,qh (meterfwqh– transfigurou-se). Esta palavra é a forma flexionada do verbo metamorfo,w (metamorfow), de onde vem a nossa palavra metamorfose. Este verbo é polissemântico e pode significar  mudado em forma, mudança de forma; ser transformado, alterar-se, ser transfigurado. Lucas, que escreveu sua narrativa do Santo Evangelho para os gregos, não empregou esse palavra. Ao invés de usar esse verbo, ele preferiu a seguinte expressão: to. ei=doj tou/ prosw,pou auvtou/ e[teron. Lucas preferiu usar essa expressão para não sugerir aos leitores gregos as metamorfoses de deuses do panteão helênico. Sendo assim, Lucas pretende mostrar mediante a inspiração divina do Espírito Santo (2Pe 1.20,21) que Jesus Cristo é diferente dos deuses adorados pelos gregos. Veja a tabela com a transliteração e tradução da expressão usada pelo médico amado (Cl 4.14):[7]

to. ei=doj tou/ prosw,pou auvtou/ e[teron
to.
ei=doj
tou´/
prosw,pou
auvtou/
e[teron
to
eidos
tou
 proswpou
autou
heteron
A
Aparência
Do
Rosto
Dele
[estava] diferente (de outro tipo)

g. Sião. Em língua hebraica o nome é NOwFyic (ciôn) e significa “lugar escalvado”. No Sl 48.2 o monte Sião é identificado como “a alegria de toda a terra”. O monte Sião está localizado na região Oriental de Jerusalém, com aproximadamente 800 metros de altura em relação ao nível do Mediterrâneo. É muitas vezes identificado com a própria cidade de Jerusalém (Cf. 2Rs 19.21; Sl 126.1; Is 1.8, 10.24). Na antiguidade essa região era povoada pelos Jebuseus, mas quando Davi assume o controle político-militar de Israel e resolveu expulsá-los. Com o passar do tempo, Davi ordenou que a arca fosse levada para Jerusalém, chamada de “cidade de Davi”, 2Sm 6, 1Cr 15. Por este motivo o monte Sião (monte onde a cidade de Jerusalém está edificada) passou a ser considerado santo pelos israelitas. Alguns anos depois (aproximadamente quarenta anos depois), quando Salomão havia assumido o trono de Israel, a arca foi levada para o Templo. Por isso a cidade de Jerusalém passou a ser chamada de Sião.[8]

d. Porque ali  (...) ordena a benção e a vida para sempre. A palavra ali (MAÇAH - šām) refere-se ao monte Sião. Esta benção (hAkAr;;Gb: - Berākāh) e vida (MyFiyax - Hayîm lit. vidas)  é uma bênção complexa que inclui todas as bênçãos. É prerrogativa de Deus ordenar a bênção, o homem só pode orar por ela. A bênção ordenada por Deus sobre aqueles que vivem em amor é vida para sempre, essa é a bênção das bênçãos. Os que vivem em amor não só moram em Deus, mas também já moram no céu. Da mesma maneira que a perfeição de amor é bem- aventurança do céu, também o amor sincero é a mais intensa das bênçãos. Os que vivem em amor e paz devem ter o Deus de amor e de paz com eles agora, e eles logo devem estar com Deus e para sempre no mundo de amor e paz sem fim. O quão bom isso é, e quão agradável!

e. Senhor. No texto hebraico aparece a palavra hAwhy ;(yehwā). Na LXX consta a palavra ku,rioj (kurios - Senhor). A palavra hebraica hAwhy ;é o nome pessoal e sacrossanto de Deus. É constituído por quatro letras  consoantes hwhy (YHWH). Esse nome sagrado tem origem no verbo hAyAh (hāyā) e pode significar “alguém que existe por si mesmo”. Nos textos de Êx 20.7 e Dt 5.12 consta o mandamento de não pronunciar o nome sacrossanto de Deus em vão. Por se tratar de um nome impronunciável, os judeus adotaram epítetos para substituírem a pronúncia original do Tetragrama. Quando os judeus se deparam com o Tetragrama na leitura do texto hebraico sagrado eles leem אֲדוֹנָי (ănāy – Senhor) ou MEKHah (hašēm – lit. o Nome). Existe também a forma híbrida MEHOwdאֲ (ăšēm). O termo técnico usado nos círculos acadêmicos para se referir ao nome sagrado de Deus é  Tetragrama: tetragrammaton (latim: composto de quatro letras), tetragra,mma (tretagramma - quatro letras), tetragra,mmatoj (tetragrammatos - quatro letras). Além dos termos técnicos em latim e em grego, há também termos técnicos em hebraico moderno e um eles é  HArOpGm;ah MEH (šhm ha mepôrāš – Nome inefável). A pronúncia Jeová apareceu no período entre a Renascença (séc. XV) e a Reforma Protestante (séc. XVI), quando os cristãos recomeçaram a estudar o hebraico bíblico. Esses estudiosos fizeram a leitura do Tetragrama como hAwOhy ;(lê-se ănāy) com os  sinais vocálicos da palavra אֲדוֹנָי e criaram a pronúncia yehôwā, originando a leitura Yehowa (Jeová). No entanto, vários hebraístas posteriores contestaram essa pronúncia. Esta forma foi usada largamente nas traduções da Bíblia em línguas europeias que foram produzidas desde o século XVI em diante. A pronúncia mais aceitada pelos estudioso é Yahweh (Iaweh, Iavé ou Javé) - hewh;ay (yahweh). Esta leitura hipotética é registrada por alguns Pais da Igreja do oriente.[9]

[Estudo elaborado em Novembro de 2014].

Bibliografia.

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2. Edições da Bíblia em Português.
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7. Manual Bíblico, Enciclopédia Bíblica e Geografia Bíblica.
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BOYER, Orlando (1999) Pequena enciclopédia bíblica. São Paulo: Vida.

UNGER, Merril Frederick. (2006) Manual bíblico Unger. São Paulo: Vida Nova.

8. Dicionários bíblicos e teológicos.
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DAVIS, John D. [19-?] Dicionário da Bíblia. 16ª ed. [São Paulo]: JUERP.

DOUGLAS, J. D. (org.) (2006) O Novo dicionário da Bíblia. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova.

ERICKSON, Millard J. (2011) Dicionário popular de teologia. São Paulo: Mundo Cristão.

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PFEIFFER, Charles F; VOS, Howard F; REA, John. (2007) Dicionário bíblico Wycliffe. 2ª ed. Rio de           Janeiro: CPAD.


9. Comentários Bíblicos.
Os livros citados aqui não foram referenciados nas notas de rodapé. Sendo assim, os números das páginas compulsadas dos comentários consultados serão sinalizados aqui.

BRUCE, F. F. (org.) (2009) Comentário Bíblico NVI. São Paulo: Editora Vida, p. 890-891.

CARRO, Daniel; POE, José Tomás; ZORZOLI, Rubén O. (eds). (1997) Comentario Biblico
Mundo Hispano Tomo 08: Salmos. El Paso, Texas: Editorial Mundo Hispano, p. 408-410.

CARSON, A. D. et. al. (2009) Comentário bíblico: Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, p. 700.

DAVIDSON, Francis. (org.) (1997) O novo comentário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, p. 750-755,           999-1001.

EVERETT, Gary H. (2013) Study notes on the Holy Scriptures: The Book of Psalms. [S.l.]         [s.n], p. 277-    280.

GOMES, Samuel S. (2013) Comentário do Salmo 126. São Paulo: STE Publicações, p. 1-4, 15.

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. (eds.) (1990) Comentário Bíblico Moody. Vol 2. São           Paulo: Imprensa Batista Regular, p. 139.

HENRY, Matthew. (2010) Comentário bíblico de Matthew Henry: Jó a Cântico dos Cânticos. Vol. 3 . Rio           de Janeiro: CPAD, p. 676-677.

MACDONALD, William (2011) Comentário bíblico popular – Antigo e Novo Testamento. São Paulo:   Mundo Cristão, p. 369, 513-514.

MEYER, F.B. (2002) Comentário Bíblico F.B. Meyer. Belo Horizonte: Editora Betânia, p. 325.

RADMACHER, Earl D; ALLEN, Ronald B; HOUSE, H. Wayne. (eds.) (2010) O novo     comentário bíblico AT, com recursos adicionais – A Palavra de Deus ao alcance de todos. Rio de           Janeiro: Central Gospel, p. 933-934.

WENHAM, Gordon J. et al (ed.) (2003) Nuevo Comentario Biblico Siglo Vientiuno: Antiguo                Testamento. [S.l.] Editorial Mundo Hispano, p. 1285-1286.

WIERSBE, Warren W. (2006) Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento: Poéticos: volume III.   Santo André, SP: Geográfica Editora, p. 335-336.

10. Metodologia.
CARVALHO, Maria Carmen Roncy, et alii. (2011) Manual para apresentação de trabalhos    
acadêmicos da Universidade Católica de Brasília. Brasília: [s.n.], p. passim.

11. Outros.
ELLISEN, Stanley A. (1993) Conheça Melhor o Antigo Testamento. Deerfield, Flórida:           Editora Vida.
GOMES, Samuel S. (2012) Classificação literária dos livros do Antigo Testamento. São Paulo: STE     
             Publicações.

______. (2013) A disposição dos livros da Bíblia Hebraica. Texto não publicado.

______. (2013) O significado do nome Jeová Jiré. São Paulo: STE Publicações.

______. (2014) A estrutura da Bíblia. São Paulo: STE Publicações.

MEYER, Anthony R.; LIZORKIN-EYZENBERG, ELI (?) The Psalms – A small group Bible        study guide: with insights from Biblical Hebrew & Answer key. ETechear Group [S.n]

PINTO, Carlos O. C. (2008) Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento. São           Paulo: Hagnos.

WILLMINGTON, Harold L. (2001) A Bíblia em Esboços. São Paulo, SP: Hagnos.


12. Textos online.
            Os textos apresentados abaixo são da autoria de Edson de Faria Francisco, Ph.D. O Dr. Edson é Pós-Doutorado em  Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas pela Universidade de São Paulo (setembro de 2011). Título do trabalho de pós-doutorado: Lexicon Masoreticum: Léxico de Terminologia Massorética Tiberiense. Os textos podem ser encontrados em seu site http://www.bibliahebraica.com.br.

FRANCISCO, Edson de F. (2008) Alfabeto hebraico. Texto online.
______. (2008) Nomenclatura das consoantes e sinais vocálicos. Texto online.
______. (2010) Língua Hebraica: aspectos históricos e característicos. Texto online.
______. (2014) Tetragrama e epítetos divinos. Texto online.






[1] Tradução feita pelo comentarista.
[2] Cf. Mitchel, Pinto, Metzger, 2002, p.55.
[3] A Onomatologia (ou Onomástica) é a ciência que estuda os nomes com suas origens e significados. O antropônimo Miriã vem da língua hebraica (MAyr;im - mir/yām) e significa sua rebelião. Quando o Antigo Testamento foi traduzido para o grego, durante os séculos III e I a.C, o nome hebraico MAyr;im passou a ser escrito em grego dessas formas: Mari,am/Maríi,a mariam/maria. Portanto, tanto o nome Miriã quanto o nome Maria têm a mesma origem linguística e significado etimológico (cf. Elliger, Rudolph, 1997, p. 264; Strong, 2002, 623).
[4] Cf. Boyer, 1999, p. 68, 314; Elliger, Rudolph, 1997, p. 94, 1214.
[5] Cf. Mitchel, Pinto, Metzger, 2002, p. 81; Strong, 2002, p. 378; Kirst et alii, 2008, p. 82.
[6] Cf. Pffeifer, Vos, Rea, 2007, p. 915-916; Douglas (org.), 2006, p. 585; Davis, [19-?], p. 296; Strong, 2002, p. 359, 1033, 1077, 1096; Kirst et alii, 2008, p. 7; Harris, Archer, Waltke, 1998, p. 535; Elliger, Rudolph, 1997, p. 289, 294.
[7] Cf. Gingrish, Danker, 1993, p. 134; Robinson, Pierpont, 2005, p. 69, 123, 179; Rienecker, Rogers, 1995, p. 37, 84; Souter, 1917, p. 157; Vine, Unger, White (eds.), 2002, p. 1031; Strong, op. cit., p. 1509; Coenen, Brown (orgs.), 2000, p. 2548-2551.
[8] Cf. Elliger, Rudolph, 1997, p. 1214; Boyer, 1999, p. 578; Strong, op. cit., p. 880, 881; Andrade, 1994, p. 60.
[9] Cf. Gomes, 2013, p. 1; Francisco, 2014, p.4,5; Pfeiffer, Vos, Rea, 2007, p. 544-545; Douglas (org,),  2006, p. 335-336.