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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A BATALHA ESPIRITUAL: ANÁLISE DE EFÉSIOS 6.10-20.


I. VISÃO GERAL DA CARTA.
Nos três primeiros capítulos o apóstolo Paulo fala sobre os privilégios dos cristãos e o que significa ser igreja. A partir disso ele começa a falar de como Deus desde a eternidade elegeu e predestinou dentre a humanidade aqueles que ele quis salvar. Paulo fala do fato de que Jesus  veio ao mundo para morrer por estas pessoas e oferecer na cruz um sacrifício eficaz por elas, e termina dizendo como o Espírito Santo  chama os eleitos de Deus através da história pela pregação do evangelho e forma um corpo que é a Igreja. Este corpo é formado por homens e mulheres, pobres e ricos – todos aqueles que professam o nome Cristo como seu Senhor e Salvador. Tudo isso Paulo aborda do capítulo 1 ao 3.
            Depois disso Paulo passa a falar dos deveres dos cristãos, ou seja, da maneira como nós que fomos alcançados pela graça de Deus nos Evangelhos devemos viver nesse mundo. Ele fala da necessidade da unidade da igreja e sobre os dons espirituais que Deus deu para a Igreja. Ele aborda também a questão da santidade e fala como devemos nos separar do pecado, nos despindo do velho homem e nos revestindo do novo homem em Cristo. Tudo isso no capítulo 4.
            No capítulo 5 e metade do capítulo 6 ele nos orienta a buscar uma vida cheia do Espírito Santo. Esta vida cheia do Espírito Santo está ligada ao casamento, à criação dos filhos e à sociedade (empregados e patrões).
            Paulo termina a carta advertindo seus leitores (e a nós!) de que não será fácil vive nesse mundo com os privilégios de sermos filhos de Deus e obedecê-lo. Teremos dificuldades de fazer o que Deus nos pede em relação a nossa família, ao casamento, à sociedade, nos relacionamentos fraternais  e na nossa própria vida. Essa dificuldade se dará porque há inimigos poderosos, mais fortes do que nós, que lutarão para nos impedir de obedecermos a vontade de Deus. Tudo isso no final do capítulo 6.
1. Autoria.
            Podemos afirmar com toda certeza que a Carta aos Efésios é produto da pena de Paulo. Logo no início da carta ele se apresenta como o autor: “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus aos santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus” (Ef 1.1). Paulo repete seu nome em Ef 3.1. Esta saudação é parecida com a saudação de 2Co 1.1 e Cl 1.1. A referência mais antiga que diz que Paulo é o autor da carta vem do ano 95 a.C.  Desde a metade do segundo século, a carta é conhecida entre os cristãos.[1]
            Uma tradição antiga descreve Paulo como alguém de pequena estatura, pouco cabelo, pernas curvas, corpo em boas condições, sobrancelhas juntas e nariz um pouco adunco.[2]
2. Data e Ocasião.
            Quatro cartas do apóstolo Paulo são chamadas de “Cartas da prisão” ou “cartas do Cativeiro”. São elas: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Sabemos disso porque Paulo nos informa isso: Ef 3.1, 4.1, 6.20; Fp  1.7, 13,14; Cl 4.18; Fm 1,9. A Carta aos Efésios foi escrita durante os dois anos em que Paulo ficou preso em Roma (At 28.16-31). Esta foi a primeira vez que Paulo ficou preso em Roma, provavelmente nos anos 58-60 d.C. Foi escrita logo depois da Carta aos Colossenses e ambas foram levadas por Tíquico (Ef 6.21; Cl 4.7). Efésios foi escrita provavelmente entre 60 ou 62 d.C.[3]
II. ANALISE DE EFÉSIOS 6.10-20.
            A partir de agora analisaremos o texto de Ef 6.10-20. Faremos uma análise de cada um dos versículos dividindo-os em três seções. As palavras em negrito pertencem ao texto bíblico em análise.
            Devemos ter sempre em mente o contexto em que Paulo nos introduz o assunto de batalha espiritual. Desde Ef 4.17, o assunto predominante que Paulo está tratando é santidade, e ele continua com esse mesmo assunto em Ef 6.10-20. Em Ef 6.10-20, o que o apóstolo está nos dizendo é que não será fácil levarmos uma vida de santidade neste mundo porque teremos inimigos poderosos que nos impedirão de fazê-lo.
1. O inimigo: Ef 6.10-12.
            A primeira tarefa do apóstolo Paulo ao abordar o assunto da batalha espiritual é nos informar sobre os inimigos que enfrentamos. Paulo deixa bem claro que Deus está no controle de tudo e que é ele que provê a armadura. Deus é a pessoa chave nessa “batalha”. Aqui o apóstolo nos mostra a funcionalidade da armadura de Deus, que é para que resistamos às ciladas do diabo, nosso inimigo espiritual e invisível e que é mais forte do que nós.
Ef 6.10: Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.
            A expressão quanto ao mais[4] significa finalmente ou quanto ao restante. É como se ele estivesse falando assim: “eu já falei isso e isso, agora só falta falar mais uma coisa”. Paulo nos dá uma ordem: sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. A expressão sede fortalecidos[5] está no presente passivo no texto original. O tempo presente indica que algo está sendo feito agora. A voz passiva indica que algo está sendo feito em alguém. Isso significa que o ato de ser fortalecido é algo que está acontecendo agora e que alguém está fazendo isso em nós. Com base no texto podemos descobrir que é Deus quem nos fortalece e a origem desse poder está nele. É Deus quem nos fortalece nele e em seu poder. A voz passiva sugere que nós mesmos não podemos fazer isso.
            Este poder que vem de Deus é o mesmo que foi mencionado em Ef 1.19 e Ef 3.16. Em Ef 1.19, Paulo diz que Deus ressuscitou Cristo por meio do seu poder, e em Ef 3.16 lemos que este poder nos é dado por meio do Espírito Santo para que Cristo habite em nós.[6]
Ef 6.11: Revesti-vos de toda armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo.
            Paulo fala sobre nos revestirmos em Rm 13.12-14; 2Co 6.7; 1Ts 5.8. Em Is 59.17 Deus é descrito vestindo uma armadura.  O texto de Ef 6.11 deixa bem claro esta armadura pertence a Deus e não a nós – armadura de Deus. A palavra armadura no texto grego é panoplía e se refere à armadura de um soldado fortemente armado da cabeça aos pés.[7] Esta armadura serve para que haja defesa contra as ciladas do diabo. Paulo introduz o nosso inimigo, e nos diz que seu nome é Diabo.[8] A palavra diabo significa “acusador”.
            Como já foi dito, essa armadura serve par nos defender das ciladas do nosso acusador. A palavra “ciladas” no texto grego significa tramas, truques.[9] Estas ciladas são os truques de Satanás para enganar os cristãos (2Co 11.14). As ciladas são também as tentações à incredulidade, ao pecado e à conformidade com o mundo. Paulo teve experiências com essas ciladas e nos adverte: “não ignoreis os seus ardis” (confira: 1Co  7.5; 2Co 11.3,14; 1Ts 2.18).[10]
Ef 6.12: Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do           mal, nas regiões celestes.
            Paulo deixa claro que não lutamos contra forças humanas, porque ele diz que a nossa luta não é contra o sangue e a carne. Nossos inimigos são invisíveis aos nossos olhos. São eles: principados, potestades, dominadores do mundo e forças espirituais. Alguns intendem que os principados, potestades e os dominadores são uma e a mesma coisa: as forças espirituais do mal, os seres espirituais que o diabo governa. Outros interpretam como sendo classes hierárquicas do exército de Satanás.
            Paulo menciona esses seres espirituais em Ef 1.21; 2.2; 3.10; Rm 8.38,39; Cl 1.13. o texto de Ef 1.21 nos chama a atenção. O texto diz que Cristo está acima de todo “principado, e potestade, e poder, e domínio”. Quando lemos o texto de Ef 6.12 à luz de Ef 1.21 aprendemos que Satanás está debaixo da autoridade de Cristo. Muitas vezes ouvimos tanto que Satanás “tem poder” que parece que ele é um poder independente, poderoso igual a Deus, mas que anda na direção contrária.[11] Isso é um erro muito grave. Satanás não é deus, ele não é igual a Deus e ele só vai até onde Deus lhe permitir. Ele está debaixo do domínio de Cristo. O livro de Jó nos prova isso quando Satanás tocou na vida de Jó e só pôde ir tocar onde Deus lhe permitiu. Devemos entender que quando a Bíblia diz que Satanás tem poder, isso se refere ao fato de que ele é mais forte do que nós seres humanos, e não que ele é poderoso em si.[12]
2. O equipamento: Ef 6.13-17.
            Tendo introduzido o nosso inimigo, agora Paulo introduz a armadura de Deus. Lembre-se que esta armadura não pertence a nós, mas a Deus. Outra coisa que precisamos lembrar é o fato de que o apóstolo Paulo estava preso junto a um soldado romano da guarda pretoriana. A armadura do soldado romano serviu de instrumento para Paulo montar sua metáfora da armadura de Deus.
            Políbio (210 a.C. – 120 a.C.) escreveu diversos livros de história e por isso se tornou autoridade em táticas de guerra. Em um de seus livros, ele fez uma descrição completa da vestimenta que a infantaria romana usava. Paulo omite duas peças essenciais: as grevas, parte da armadura que cobria as pernas desde os joelhos aos pés, e as lanças. Entretanto, alguns estudiosos entendem que Paulo não estava se baseando totalmente na figura do soldado romano, mas que ele tinha em mente a figura do Antigo Testamento que descreve Deus como um guerreiro nos textos de Is 11.4,5; Is 59.14-17.[13]
            Não há nada de surpreendente na armadura. O que encontramos nela é o velho “feijão com arroz” que aprendemos na Escola Dominical: oração, leitura da Palavra, vida justa reta diante de Deus etc. O que Paulo nos apresenta aqui é apenas uma ilustração daquilo que caracteriza a vida cristã. Essas características são tudo aquilo que Cristo conquistou na cruz para nós.
Ef 6.13: Portanto, tomai a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mal e, depois de terdes vencido tudo, permaneceis inabaláveis.
            Este versículo é crucial para entendermos o papel do soldado que Paulo está descrevendo. É muito comum ouvirmos dizer que a igreja tem que ir ao ataque os demônios, ir contra os poderes do mal. No entanto, não é essa a figura que Paulo pinta aqui. A figura de Paulo diz respeito a um soldado que está em terreno conquistado, mas que está sofrendo ataque e precisa se defender. Esta ideia torna-se mais clara quando percebemos a expressão ficar firmes do versículo 11 e permanecer inabaláveis do versículo 13. Embora na tradução em português haja duas palavras diferentes, no texto grego é o mesmo verbo. Este verbo é usado num sentido militar indicando assumir um posto de vigia ou também significa sustentar-se numa posição crítica durante a batalha.[14]
            Paulo repete a exortação de Ef 6.11 sobre tomar a armadura de Deus. Perceba que o texto insiste em deixar claro que a armadura pertence a Deus. O objetivo de tomar essa armadura é para “resistir o dia mal”. Em Ef 5.16 lemos que os dias são maus. O “dia mal” de Ef 6.13 é o dia do conflito da nossa alma, e pode ser qualquer luta espiritual em nossa vida. Lembremo-nos do que diz o Sl 34.19: “Muitas são as aflições do justo, mas Senhor de todas o livra”.[15]
Ef 6.14: Estai, pois, firmes, cingindo-vos com  verdade e vestindo-vos da couraça da justiça.
            A palavra firme aparece novamente no texto e é o mesmo verbo utilizado nos versículos 11 e 13 (vide acima).[16] A NVI traduziu a frase estais, pois, firmes por “assim, mantenham-se firmes”. A NTLH traduziu por “portanto, estejam preparados”. Cingir significa por à cintura, apertar.
Os versículos 14 ao 17 nos apresentam seis peças da armadura: quatro são mencionadas de modo específico, mas o cinturão e as sandálias estão implícitos. Neste versículo o apóstolo Paulo nos apresenta as duas primeiras ferramentas da armadura de Deus: o cinturão e a couraça. Começaremos pelo cinto ou cinturão. A primeira coisa que temos que saber é que cingir significa por à cintura, apertar.[17] O cinto[18] era uma correia ou tira que cercava a cintura com uma só volta a fim de apertá-la, e era também usada como suporte para as bainhas das espadas (2Sm 20.8). Alguns cintos eram de couro. O cinto era a peça que mantinha firme todas as peças da armadura; o cinto é  o elemento que mantém a estrutura. Esta estrutura é chamada verdade.[19] No versículo 11, o nosso inimigo nos é apresentado com o nome de diabo, nome de significa acusador. Em Jo 8.44, Jesus nos diz que o diabo é o pai da mentira. Sendo assim, só poderemos resistir-lhe se estivermos fundamentados na verdade. Se, pois, estivermos cingidos com a verdade, nosso inimigo, que nos acusa e que é mentiroso, não terá argumentos válidos para lançar contra nós, pois estamos alicerçados na verdade. Para Paulo, a verdade é um atributo essencial. Essa verdade pode ser integridade, autenticidade e honestidade. Devemos seguir a verdade em amor (Ef 4.15). Falar a verdade é uma das características de uma vida santificada (Ef 4.25).[20]
A segunda peça que nos é apresentada neste versículo é a couraça da justiça. A couraça[21] era feita de couro duro ou de metal e envolvia o corpo todo do soldado, para que todo o tórax (onde estão os órgãos vitais) fosse protegido. A justiça da qual o texto se refere é aquilo que Cristo conquistou na cruz para nós: a justificação (2Co 5.12; Ef 4.24).[22]
A Doutrina da Justificação pela Fé é uma doutrina fundamental para o cristão, mas que infelizmente tem caído no esquecimento na maioria das igrejas pentecostais e neopentecostais. Romanos 5.1 diz: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. A justificação é o ato de Deus redimir os pecados dos culpados e admitir esses culpados como justos gratuitamente pela sua graça mediante a fé em Jesus Cristo, não por méritos dos pecadores, mas porque Jesus Cristo guardou a lei em nome deles e os redimiu (Rm 3.23-26; Rm cap. 4 ao 5). Porque todos pecaram, todos estão condenados à perdição (Rm 3.9,23). Ninguém poderá ser justificado mediante a guarda da lei de Deus, ou seja, por seus próprios esforços. Os crentes são “feitos justiça” diante de Deus porque ele os trata conforme o merecimento de Cristo. Os crentes são justificados em Cristo (Gl 2.17). Os que foram justificados por meio do sacrifício de Cristo são aqueles que foram predestinados desde a fundação do mundo, (Rm 8.29-30; Ef 1.3-7).[23]
Em resumo, a justificação é algo que não depende de nossos esforços; nós a alcançamos por meio do sacrifício de Cristo. Outro ponto que devemos considerar é que somo justificados pela fé (Rm 5.1). A fé é um dom de Deus, ela não pertence ao ser humano (1C 12.9; Ef 2.8). É Deus quem nos concede a fé. Em Rm 10.11 lemos que “... a fé vem pela pregação...”, pois será pela pregação do Evangelho que os eleitos e predestinados serão convertidos. Para encerrar este assunto, em 2 Ts 3.2 lemos que  fé não pertence a todos. Deus a dá  para aqueles que ele predestinou desde a eternidade.
Ef 6.15: Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz.
            Paulo nos apresenta agora as sandálias. As sandálias militares de um soldado romano eram calçados duros, de couro, para proteger os pés, que tinham tachas para manter o equilíbrio em terrenos acidentados proporcionando apoio aos pés. Paulo usa a ilustração da sandália para representar a preparação[24] do evangelho.[25] Isso pode significar duas coisas: 1) o Evangelho é o firme fundamento no qual os cristãos devem apoiar-se; 2) o soldado cristão deve estar preparado para seguir o Evangelho e levá-lo por onde andar para propagá-lo. Se calçarmos (calçai)[26] as sandálias de Evangelho teremos os “pés formosos” de Is 52.7 (cf. Rm 10.15).[27]
            O evangelho da paz[28] é a paz com Deus pela salvação através da pregação (Ef 2.17). Em toda a Carta aos Efésios, Paulo ressaltou como o Evangelho traz paz, reconciliando-nos com Deus. Em Efésios, a paz é o elo que mantém a unidade entre os cristãos. Esta paz é a mesma referida em Rm 5.1, a paz que temos com Deus por meio do sacrifício de Cristo na cruz do calvário. Outrora nossa condição perante Deus era de inimizade, pois quem ama o mundo odeia a Deus (1Jo 2.15). Mas agora, pelo sacrifício na cruz, temos paz com Deus, pois fomos reconciliados com ele mediante o Senhor Jesus. Deus não mais nos considera como inimigos, mas como filhos por meio da adoção, Ef 1.5 (cf. Rm 8. 15). É de fundamental importância salientar mais uma vez que este ato da soberania de Deus não nos é dado por nossos méritos, mas unicamente pelo sacrifício substitutivo de Cristo na cruz.
Ef 6.16: Embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno.
            O escudo[29] aqui emocionado era aquele maior e mais pesado que protegia todo o corpo. Media cerca de 80 cm por 120 cm. Esses escudos eram escavados na madeira e coberto com couro. A referência é ao scutum dos soldados romanos que tinha uma estrutura metálica e, às vezes, uma massa de metal no centro. Frequentemente as várias camadas de couro eram ensopadas e socadas na água antes da batalha, a fim de apagar as setas incendiárias do inimigo.[30]
            A [31] aqui descrita é a confiança em Deus. A fé que traz libertação é a fé que nos guarda. Ela nos protege dos dardos inflamado do maligno.[32] Satanás lança dardo inflamados em nosso coração e em nossa mente: mentiras, pensamentos blasfemos, pensamentos de ódio contra os outros, dúvidas e desejos ardentes pelo pecado. Se não apagarmos esses dardos pela fé, eles começarão um incêndio.[33]
Ef 6.17: Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.
O capacete[34] da salvação[35] era um traje militar ajustado e mais leve para proteger a cabeça e fazia com que o soldado parecesse mais alto e imponente. Os capacetes romanos eram feitos de bronze e tinham uma camada de feltro ou esponja. Satanás deseja atacar nossa mente, foi assim que ele derrotou  Adão (Gn 3). O capacete da salvação refere-se à mente controlada por Deus.[36]
            A espada[37] do Espírito, ao contrário do que se pensa, não é uma arma de ataque. Ela é uma arma de defesa! Na armadura de Deus (Ef 6.11) não há peças de ataque, só de defesa. Lembre-se de que o soldado que Paulo descreve aqui já está em terreno conquistado e ele tem que se defender do inimigo que o ataca. A palavra grega para espada usada aqui é macaira (lê-se márraira). Este tipo de espada era pequena, aquela que o soldado usava no combate corpo a corpo. Não era a espada mais longa usada em combates. A expressão “espada do Espírito” tem conotação possessiva: pertence ao Espírito, a espada é dele. Isso fica claro uma vez que essa espada é a palavra de Deus e que o Espírito Santo é seu autor (2Pe 1.20,21). Em termos práticos, essa espada é a Palavra específica que precisamos desembainhar numa determinada situação. Para ter a Palavra precisa à mão, o cristão deve conhecer intimamente toda a Bíblia (a Palavra de Deus, ou seja, a espada) e saber manejá-la. Quando Jesus foi ao deserto para ser tentado pelo diabo, ele resistiu aos ataques do diabo respondendo com textos bíblicos: Dt 8.3; Dt 6.16; Dt 6.13 (Dt 10.20). Quando Satanás  vier te tentar, que texto você usará para rebater os ataques dele?
3. A energia: Ef 6.18-20.
            Esta é a última seção que estudaremos sobre o texto que nos relata a batalha em que estamos inseridos. O assunto geral desta seção é a oração, o único meio de diálogo com o nosso Senhor, por isso não abordaremos cada versículo de forma isolada, mas os trataremos todos juntos.

Ef 6.18-20: Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo.
            O versículo 18 parece fazer par com o versículo 13. É como se os versículos 14 ao 17  fossem parêntesis. Sendo assim, o meio pelo qual podemos tomar a armadura de Deus é por meio da oração. A frase oração e súplica quer dizer todo tipo de petição diante de Deus. Note que a oração não é uma das partes da armadura. A comunhão com Deus é a atividade mais elevada de que as pessoas são capazes. A doutrina bíblica da oração destaca o caráter de Deus e a necessidade de estar num relacionamento correto de aliança com ele (Jo 4.24). Em 1Ts 5.17 lemos: “orai sem cessar”.
BIBLIOGRAFIA.
1. Dicionários e Enciclopédias Bíblicas.
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2. Introdução ao Novo Testamento.
CARSON, D. A; MOO, Douglas J; MORRIS, Leon (1992) An introduction to the New Testament. Grand Rapids, Mich:          Zodervan Publishing House.
HALE, Broadus David (1983) Introdução ao estudo do Novo Testamento. Rio de Janeiro: JUERP.
HARRISON, Everett F. (1987) Introduccíon al Nuevo Testamento. Grand Rapids, Mich: Subcomisión Literatura                        Cristiana.
HÖRSTER, Gerhard (1996) Introdução e síntese do Novo Testamento. Curitiba, PR: Evangélica Esperança.
TENNEY, Merril C. (1995) O Novo Testamento: sua origem e análise. São Paulo: Vida Nova.
3. Edição do Novo Testamento em grego.
SAYÃO, L. A. T. (ed.) (1998) Novo Testamento trilíngue: Grego, Português e Inglês. São Paulo: Vida.
4. Dicionários de Grego Bíblico.
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MITCHEL, Larry A.; PINTO, Carlos O. C; METZGER, Bruce M. (2002) Pequeno Dicionário de Línguas Bíblicas:   Hebraico e Grego. São Paulo: Vida Nova.
RIENECKER, Fritz; ROGERS, Cleon. (1995) Chave Linguística do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova.
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RADMACHER, Earl D; ALLEN, Ronald B; HOUSE, H. Wayne. (eds.) (2010) O novo comentário bíblico NT, com                 recursos adicionais – A Palavra de Deus ao alcance de todos. Rio de Janeiro: Central Gospel.
RICHARDS, Lawrence O. (2008) Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 3ª ed. Rio de Janeiro: CPAD.
WIERSBE, Warren W. (2006) Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento: volume II. Santo André, SP: Geográfica              Editora.

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[1] Pfeiffer, Vos, Rea, 2007, p. 602, 603; Douglas (org.), 206, p. 372; Hörster, 1996, p. 73.
[2] Willimas (ed.), 2000, p. 279.
[3] Pfeiffer, Vos, Rea, 2007, loc. cit.; Hörster, op. cit., p. 76; Carson, Moo, Morris, 1992, p. 313; Harrison, 1987, p. 317; Tenney, 1995, p. 333; Hale, 1983, p. 196, 203.
[4] No texto grego: tou/ loipou/ (tu loipu), (Sayão [ed.], 1998, p. 544).
[5] No texto grego: evvndunamou/sqe (endunamusqe) (Sayão [ed.], loc.cit). Vem do verbo evvvvvvvndunamo,w (endunamów) que significa fortalecer, e na voz passiva significa tornar-se forte (Gingrich, Danker, 2012, p. 73).
[6] Davidson (org.), 1997, p. 2138; Howard, et al, 2012, p. 194; Radmacher, Allen, House (eds.), 2010, p. 514; Rienecker, Rogers, 1995, p.401.
[7] No texto grego: panopli,a (panoplía), (Sayão [ed.], loc.cit; Gingrich, Danker, op. cit., p. 154).
[8] No texto grego: dia,boloj (diábolos), (Sayão [ed.], loc.cit; Gingrich, Danker, op. cit., p. 53; Mitchel, Pinto, Metzger, 2002, p. 80).
[9] No texto grego: meqodei,aj (meqodéias), (Sayão [ed.], 1998, p. 544; Gingrich, Danker, 2012, p. 131). Esta palavra aparece em Ef 4.14 referindo-se às “artimanhas de homens”.
[10] Davidson (org.), 1997, p. 2138; Howard, et al, 2012, p. 194; Radmacher, Allen, House (eds.), 2010, p. 514; Rienecker, Rogers, 1995, p.401; Wiersbe, 2006, p. 74.
[11] Alguns ramos do pentecostalismo e neopentecostalismo são dualistas. O dualismo é um sistema de crença que acredita que há duas forças opostas (bem e mal) que lutam entre si para ver quem é a mais forte. O cristianismo bíblico não aceita esta ideia, pois crê que há somente um Deus verdadeiro e soberano.
[12] Howard, et al, 2012, p. 195, 196; Radmacher, Allen, House (eds.), loc. cit.; Wiersbe, loc, cit.
[13] Howard, et al, op. cit., p. 197.
[14] No texto grego: sth/nai (sthnai), ficar firme (Sayão [ed.], 1998, p. 544; Rienecker, Rogers, 1995, p.401). Esta forma vem do verbo i´´[sthmi (sthmijjjjjjjj) (Gingrich, Danker, 2012 p.103).
[15] Davidson,
[16] No texto grego: sth/te (sthte). Esta é a forma mais forte do verbo i´´[sthmi. A forma sth/te significa  tomar posição. (Sayão [ed.], 1998, p. 544; Rienecker, Rogers, 1995, p.401;Gingrich, Danker, 2012 p.103)
[17] Boyer, 1999, p. 143.
[18] No texto grego: ovrfu/j (orfus) significa cinto ou cinturão (Sayão [ed.], loc. cit.; Rienecker, Rogers, loc. cit.; Gingrich, Danker, op. cit.; p.150).
[19] No texto grego: avlh,qeia (alhqeia) significa verdade (Sayão [ed.], loc. cit.; Gingrich, Danker, op. cit.; p.16; Mitchel, Pinto, Metzger, 2002, p. 77).
[20] Davidson (org.), 1997, p. 2139; Howard et al, 2012, p. 197, 198; Radmacher, Allen, House (eds.), 2010, p. 514; Richards, 2008, p. 432; Wiersbe, 2006, p. 75.
[21] No texto grego: qw,rax (qwrax) significa couraça, peitoril. Em Ap 9.9 provavelmente significa tórax, caixa torácica. A palavra qw,rax indica qualquer peça que protegesse o corpo entre os ombros e os lombos (cf. Rienecker, Rogers, loc. cit.; Sayão [ed.], loc. cit.; Gingrich, Danker, 2012 p.99)
[22] Howard et al, op. cit., p. 197; Radmacher, Allen, House (eds.), loc. cit.; Wiersbe, op. cit., p. 75.
[23] Williams (ed.), 2000, p. 204.
[24] No texto grego: e``toimasi,a (hetoimasía) significa prontidão, preparação. A palavra pode significar, neste contexto, firmemente e expressar  solidez, firmeza, fundamento sólido (cf. Rienecker, Rogers, 1995, p.401; Sayão [ed.], 1998, p. 544).
[25] A palavra evangelho(euvagge,lion [euangelion]) significa boas novas ou boas notícias (Gingrich, Danker, 2012 p. 87; Mitchel, Pinto, Metzger, 2002, p. 83). Esta palavra é usada mais de 75 vezes no Novo Testamento, é a boa nova de que Deus em Cristo cumpriu suas promessas a Israel e de que se abriu um caminho de salvação para todos (Mc 1.14; Lc 4.16) (Willams (ed.), 2000, p. 122).
[26] No texto grego: u``pode,oma (hupodeoma) significa calçar. Esta palavra pode se referir à caliga, um forte e pesado sapato usado pelos soldados romanos, ou aos calceus, um sapo grosseiro que era usado pelos oficiais (cf. Rienecker, Rogers, 1995, p.401).
[27] Davidson (org.), 1997, p. 2139; Howard et al, 2012, p. 198; Radmacher, Allen, House (eds.), 2010, p. 514; Wiersbe, 2006, p. 76.
[28] No texto grego: eivrh,nhj (eirhnhsj) significa paz, tranquilidade (Sayão [ed.], 1998, p. 544; Gingrich, Danker, 2012 p. 64,65; Mitchel, Pinto, Metzger, 2002, p. 81). A palavra  grega eivrh,nhj equivale à palavra hebraica MOwlAH (shalom).
[29] No texto grego: qure,oj (qureos) significa escudo (Sayão [ed.], loc. cit.; Gingrich, Danker, op. cit., p. 99).
[30] Davidson (org.), loc. cit.; Howard et al, loc cit.; Radmacher, Allen, House (eds.),op. cit., p. 514; Wiersbe, op. cit, p. 76.
[31] No texto grego: pi,stij (pistis) significa (Sayão [ed.], loc. cit.; Gingrich, Danker, op. cit., p. 167; Mitchel, Pinto, Metzger, op. cit., p.91).
[32][32] No texto grego: ponhro,j (ponhros) significa maligno (Gingrich, Danker, op. cit., p. 172).
[33] Davidson (org.), 1997, p. 2139; Howard et al, 2012, p. 198; Radmacher, Allen, House (eds.), 2010, p. 515; Wiersbe, 2006, p. 76. Richards, 2008, p. 432.
[34] No texto grego: perikefalai,a (perikefalaia) significa capacete (Sayão [ed.], 1998, p. 544; Gingrich, Danker, 2012 p. 164).
[35] No texto grego: swthri,a (swthria) significa salvação (Sayão [ed.], loc. cit.; Gingrich, Danker, op. cit., p.202).
[36] Howard et al, op. cit., 198, 199; Radmacher, Allen, House (eds.), loc. cit.; Wiersbe, op. cit., p. 76; Rienecker, Rogers, 1995, p.402.
[37] No texto grego: ma,caira (macaira) significa espada (Sayão [ed.], loc. cit.; Gingrich, Danker, op. cit., p.131).

A BÍBLIA: SUA TRANSMISSÃO E COMO CHEGOU ATÉ NÓS.


1. O SURGIMENTO DA ESCRITA.
            A História é dividida comumente em Pré-História e História. A causa desta divisão foi um fator fundamental para a raça humana – o surgimento da escrita. A Pré-História é o período acontecido antes da criação da escrita. Com o surgimento da escrita, fatos e eventos passaram a ser registrados de maneira definitiva. A partir desses fatos registrados surge o período denominado história.
1.1. A história da escrita.
As primeiras formas rudimentares de escrita apareceram entre os povos sumerianos cerca do ano 3500 a.C.[1] Na escrita sumeriana mais antiga, a figura de um objeto pode representar este objeto ou meramente o som do nome desse objeto. Por exemplo, a figura de uma estrela poderia representar o céu e lembrar a palavra an ou poderia representar a palavra para deus (associação ao céu) e ser lida como dingir. Este primeiro tipo de escrita era chamado pictogramas porque usava figuras para representar seres humanos e animais. A partir dos pictogramas surgiram outros tipos de escrita como os ideogramas (símbolos que representavam ideias) e os fonogramas (símbolos que representavam sons).[2]
            Esses textos, por assim dizer, eram escritos em tijolos de barro ou massa e depois eram queimados ou deixados para secar. Para escrever era usado um estilete de junco. Com o estilete eram feitos várias cunhas ou incisões no barro. Por conta dessas cunhas é que esse formato de escrita é chamado cuneiforme (latim, cuneus [cunha]).[3]
            No final do quarto milênio a.C., os egípcios desenvolveram seu próprio sistema de escrita. Este sistema era chamado de escrita hieroglífica. Os hieróglifos usavam figuras e sinais para serem lidos foneticamente. Inicialmente, este era um sistema de escrita composto por ideogramas e mais tarde passou a ser um sistema de escrita fonético (fonogramas).[4]
            Quando e onde surgiu o alfabeto é algo que ainda não sabemos. A maioria dos linguistas concorda em achar que o alfabeto surgiu provavelmente no Egito ou em Canaã. A forma mais antiga de alfabeto conhecido é cananeu e consonantal (composto de consoantes). Este sistema alfabético surgiu entre 2000 e 1500 a.C., e foi transmitido subsequentemente pelos fenícios aos gregos, provavelmente no século VIII a.C. foram os gregos que inventaram as vogais. Até então havia somente  as consoantes na língua escrita. Outra contribuição dos gregos foi a mudança da direção da escrita para aquela que o ocidente segue agora – da esquerda para a direita. Os sistemas de escritas cuneiforme da mesopotâmia e o hieroglífico egípcio eram tão complicados que se levavam anos para aprendê-los. O alfabeto colocou a alfabetização ao alcance de todos.[5]
1.2. Os suportes de escrita.
            Uma vez que existam vários sistemas de escritas, o ser humano passou a usar diversos materiais para transcrever os registros. Eles utilizavam os materiais que tinham a disposição. Com o passar dos tempos esses materiais foram aprimorados ou substituídos por outros.
1.2.1. Pedras.
            Muitas inscrições eram entalhadas em pedras ou rochas (Jó 19.24). Escrever em pedras era uma ótima opção quando se queria que uma informação fosse preservada por muito tempo. Eram usadas tábuas de pedras que mediam 45 cm x 30 cm. Foram em tábuas de pedras deste tamanho que os Dez Mandamentos foram escritos (Êx 36.16).[6]
1.2.2. Tabletes de argila.
            Em Ez 4.1 Deus diz ao profeta para desenhar a cidade de Jerusalém num tijolo. Este tijolo provavelmente era de argila.[7]
1.2.3. Papiro.
            O papiro era um tipo de “papel” feito de uma planta aquática abundante no Egito. Esse papel vinha sendo fabricado desde 1400 a.C. até 600 d.C. Cortava-se um talo de papiro de 30 cm e o cortava em fatias de pouca espessura, as quais eram coladas lado a lado a fim de formarem uma “página” de 25 cm a 30 cm, em quadrado. Sobre essa primeira camada era colada outra e depois tudo isso era prensado e deixado a secar. Esse material era bastante durável, mas não suportava climas úmidos. Papiros não sobreviveriam em Israel ou na Grécia, muito menos no Brasil – países de clima úmido. Quase todos os manuscritos em rolos de papiro foram encontrados no Egito, país que fica numa região semiárida onde nunca chove. O “papel” usado pelo apóstolo João (2Jo 12) era provavelmente o papiro.[8]
1.2.4. Pergaminho.
            O pergaminho era usado desde 1288 a.C. no Egito e em outros países. Em latim e grego a palavra era membrana – palavra que significa pele. Este material era feito de peles de animais (cabras e ovelhas) especialmente preparadas e era mais durável do que o papiro e bem mais caro também. De acordo com 2Tm 4.13, o apóstolo Paulo fez uso de pergaminhos.
1.2.5. Papel.
            O papel teria sido inventado na China em 105 d.C. por  T’sai Lun. Ele misturou casca de amoreira, cânhamo, restos de roupas e outros produtos. Depois de batida a massa até formar uma pasta, peneirou e deixou secar ao sol. No entanto, esta técnica foi guardada e somente 500 anos depois os chineses conheceram o papel graças aos monges budistas coreanos. O papel chegou ao ocidente em 750 d.C.[9]
1.3. Forma dos documentos.
            Os suportes vistos acima possuíam formatos diversos. Aqui iremos destacar formatos que foram importantes para a transmissão da Bíblia.
1.3.1. Rolos.
            Os rolos era a forma comum do “livro” mencionado tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento era de rolo. Quando a Bíblia usa a palavra “livro” (como por exemplo, em 2Rs 22.8 [livro da lei])  ela se refere aos rolos. Os rolos eram feitos de papiro ou pergaminho e não podiam ser mais longo do que 10 metros. Já vimos que a confecção era feita colando uma folha na outra e isso era feito até formar um rolo. No caso dos pergaminhos, uma pele era costurada em outra até formar um rolo não mais longo do que 10 metros. A escrita em rolos era feita em colunas, pois seria desconfortável escrever uma linha de 10 metros e depois voltar ao início do rolo. Em Jr 36 temos o relato da confecção do rolo do profeta. Em Zc 4.1 e Ap 5.1 lemos de rolos vieram voando. Em Lc 4.17  Jesus o livro de Isaias, ou seja, o rolo de Isaías. Ele primeiro desenrolou o rolo (“abrindo o livro”) e depois de ter lido enrolou o rolo (“tendo fechado o livro”).[10]
1.3.2. Códices.
            Em meados do século II d.C. o rolo começou a ser substituído pelo códice. O códice tinha o formato de livro. Ao invés de costurar uma pele na outra ou colar uma folha de papiro na outra, passaram a fazer pilhas de papiro ou pergaminho e se fazia uma costura só. Feito isso, o material final era usado como livro, sendo possível folhear as páginas da mesma forma como folheamos as páginas da Bíblia. Alguns manuscritos da Bíblia estão em forma de códice.[11]
2. OS MANUSCRITOS DA BÍBLIA.
            A Bíblia foi preservada através de muitos manuscritos. Manuscrito significa “escrito a mão”. Quando falamos em “manuscritos originais” estamos nos referindo àqueles que foram escritos pelos próprios autores bíblicos. No entanto, esses manuscritos (chamados de autógrafos) não existem mais. O que nós temos são cópias de cópias muito bem preservadas. Uma ciência chamada Manuscritologia estuda os manuscritos para saber qual é o mais próximo do original (autógrafo).
            As cópias manuscritas do Antigo Testamento são poucas e raras. Já o Novo Testamento tem mais de 5400 cópias e fragmentos manuscritos em grego, além das cópias feitas em armênio, copta e latim.
            Muitas pessoas levantam dúvidas sobre a confiabilidade e veracidade do texto do Novo Testamento. Mas esse número de cópias manuscritas (5400) foi produzido muito numa época muito próximas dos originais, até o séc.  IV. Isso significa dizer que se o texto do Novo Testamento não é confiável, então nenhuma cópia manuscrita feita antes da invenção da imprensa merece crédito, e isso inclui todos os livros da antiguidade, seja livros de história ou de filosofia, visto que o Novo Testamento é o documento mais bem atestado da antiguidade em número de cópias manuscritas feitas próximas as datas do originais.
2.1. Os principais manuscritos da Bíblia.
            A cristandade possui alguns manuscritos importantes para o texto bíblico.
2.1.1. Manuscrito Vaticano.
            Manuscrito escrito em grego e data do séc. IV a.C. É o mais antigo conhecido no mundo. Foi produzido em 4 volumes, com 700 páginas, e está escrito em  colunas na página e contem quase a Bíblia inteira. Faltam 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemom e o Apocalipse. Ele está guardado na Biblioteca do Vaticano.[12]
2.1.2. Manuscrito Sinaítico.
Produzido no séc. IV e está em grego, contém todo o AT grego, além das Epístolas de Barnabé e parte de O pastor, de Hermas. Foi encontrado pelo sábio alemão Constantino Tischendorf, em 1844, no Mosteiro de Santa Catarina, situado na encosta do Sinai. Tischendorf viu 129 páginas do manuscrito em uma cesta de papel, prestes a serem lançadas ao fogo. Percebendo seu enorme valor, levou-as para a Europa. Em 1859, voltou ao mosteiro e encontrou as páginas restantes. Doada pelo seu descobridor a Alexandre II, da Rússia, a preciosidade foi posteriormente comprada pela Inglaterra pela vultosa quantia de 100 mil libras esterlinas. Está no Museu Britânico desde 1933.[13] Possui quase o Novo Testamento inteiro, com exceções de Mc 16.9-20 e Jo 7.58-8.11.[14]
2.1.3. Manuscrito Alexandrino.
            Está escrito em grego e data do séc. IV d.C. Tem esse nome porque fez parte da biblioteca de Alexandria, Egito. É composto por 4 volumes e tem duas colunas em cada página. Atualmente está no Museu Britânico, em Londres. Contém a Bíblia inteira, com exceção de  Gênesis 14:14 a 17; 15:1 a 5, 16 a 19; 16:6 a 9; I Reis 12:18 a 14:9; Salmos 49:20 a 70:11; Mateus 1:1 a 25:6; João 6:50 a 8:52; II Coríntios 4:13 a 12:7.[15]
3. TRADUÇÕES ANTIGAS.
            A Bíblia possui duas traduções antigas que causam impacto até hoje. São elas a Septuaginta e a Vulgata.[16]
3.1. Septuaginta.
Como consequência dos setenta anos de cativeiro na Babilônia e da forte influência do aramaico, a língua hebraica enfraqueceu. Todavia, fiéis à tradição de preservar os oráculos em sua língua, os judeus não permitiam que os livros sagrados fossem vertidos para outro idioma. Alguns séculos mais tarde, porém, essa atitude exclusivista e ortodoxa teria de dar lugar a um senso mais prático e liberal. Com o estabelecimento do império de Alexandre, o Grande, a partir de 331 a.C., a língua grega popularizou-se a tal ponto que se tornou imprescindível uma tradução das Sagradas Escrituras nesse idioma. Segundo o escritor Aresteas, a tradução grega foi feita por 72 sábios judeus (daí o nome “Septuaginta”), na cidade de Alexandria, a partir de 285 a.C., a pedido de Demétrio Falário, bibliotecário do rei Ptolomeu Filadelfo. Concluída 39 anos mais tarde, a nova versão assinalou o começo de uma grande obra que, além de preparar o mundo para o advento de Cristo, tornaria conhecida de todos os povos a Palavra de Deus. Na igreja primitiva, era a tradução conhecida de todos os crentes.
3.2. Vulgata.
Em 382 d.C., o bispo Dâmaso encarregou Jerônimo de traduzir da Septuaginta para o latim o livro de Salmos e o NT, trabalho concluído em três anos e meio. Mais tarde, outro bispo assumiu a direção da igreja em Roma e percebeu, com inveja, a grande cultura e a influência de Jerônimo. Este, perseguido e humilhado, dirigiu-se para Belém, na Terra Santa, e ali estudou e trabalhou 34 anos na tradução de toda a Bíblia para a língua latina. Jerônimo escreveu ainda 24 comentários bíblicos, um conjunto de biografias de eremitas, duas histórias da igreja primitiva e diversos tratados. Mais tarde, a Bíblia de Jerônimo ficou conhecida por Vulgata [Vulgar], sendo hoje utilizada pela Igreja Romana como a autêntica versão das Escrituras em latim, apesar de muitos estudiosos a considerarem pobre e até apontarem falhas graves.
4. TRADUÇÕES PARA O PORTUGUÊS.
            O processo da tradução da Bíblia foi feito de forma lenta. As primeiras traduções eram de porções da Bíblia. A Bíblia completa em português
4.1. Traduções parciais.
“Venturoso” ou “Bem-Aventurado”. A despeito de esse título ter sido atribuído a d. Manuel como o principal incentivador das grandes navegações, mais bem-aventurado que esse rei português foi um de seus antecessores, d. Diniz (1279-1325), por ter sido a primeira pessoa a traduzir para a língua portuguesa o texto bíblico, tornando assim possível a futura grande navegação dos leitores de língua portuguesa pelo imenso mar da Palavra de Deus.
Grande conhecedor do latim clássico e leitor da Vulgata, d. Dinis resolveu enriquecer o português traduzindo as Sagradas Escrituras para o nosso idioma, tomando como base a Vulgata latina. Embora lhe faltasse perseverança e só conseguisse traduzir os vinte primeiros capítulos do livro de Gênesis, esse seu esforço o colocou em uma posição histórica-mente anterior a alguns dos primeiros tradutores da Bíblia para outros idiomas, como João Wycliffe por exemplo, que só em 1380 traduziu as Escrituras para o inglês.
Fernão Lopes afirmou em seu curioso estilo de cronista do século XV, que d. João I (1385- 1433), um dos sucessores de d. Diniz ao trono português, fez grandes letrados tirar em linguagem os Evangelhos, os Atos dos Apóstolos e as epístolas de Paulo, para que aqueles que os ouvissem fossem mais devotos acerca da lei de Deus (Crônica de d. João I, segunda parte). Esses “grandes letrados” eram vários padres que também se utilizaram da Vulgata latina em seu trabalho de tradução.
Enquanto esses padres trabalhavam, d. João I, também conhecedor do latim, traduziu o livro de Salmos, que foi reunido aos livros do Novo Testamento traduzidos pelos padres. Seu sucessor, d. João II, outro grande defensor das traduções do texto bíblico, mandou gravar no seu cetro a parte final do versículo 31 de Romanos 8: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”, atestando assim quanto os soberanos portugueses reverenciavam a Bíblia.
Outras traduções em língua portuguesa, realizadas em Portugal, são dignas de menção:
·         Os quatro evangelhos, traduzidos em elegante português pelo padre jesuíta Luiz Brandão.
·         No inicio do século XIX, o padre Antônio Ribeiro dos Santos traduziu os Evangelhos de Mateus e de Marcos, ainda hoje inéditos. [17]
4.2. Tradução completa: João Ferreira de Almeida.
Coube a João Ferreira de Almeida a grandiosa tarefa de traduzir pela primeira vez para o português o Antigo e o Novo Testamento. Nascido em 1628, em Torre de Tavares, nas proximidades de Lisboa, João Ferreira de Almeida, quando tinha doze anos de idade, mudou-se para o sudeste da Ásia. Após viver dois anos na Batávia (atual Jacarta), na ilha de Java, Indonésia, Almeida partiu para Málaca, na Malásia, e lá, pela leitura de um folheto em espanhol acerca das diferenças da cristandade, converteu-se do catolicismo à fé evangélica. No ano seguinte começou a pregar o evangelho no Ceilão (hoje Sri Lanka) e em muitos pontos da costa de Malabar.
Não tinha ele ainda dezessete anos de idade quando iniciou o trabalho de tradução da Bíblia para o português, mas lamentavelmente perdeu o seu manuscrito e teve de reiniciar a tradução em 1648.
Por conhecer o hebraico e o grego, Almeida pôde utilizar-se dos manuscritos dessas línguas, calcando sua tradução no chamado Textus Receptus, do grupo bizantino. Durante esse exaustivo e criterioso trabalho, ele também se serviu das traduções holandesa, francesa (tradução de Beza), italiana, espanhola e latina (Vulgata).
Em 1676, João Ferreira de Almeida concluiu a tradução do Novo Testamento, e naquele mesmo ano remeteu o manuscrito para ser impresso na Batávia; todavia, o lento trabalho de revisão a que a tradução foi submetida levou Almeida a retomá-la e enviá-la para ser impressa em Amsterdamã, na Holanda. Finalmente, em 1681 surgiu o primeiro Novo Testamento em português, trazendo no frontispício os seguintes dizeres, que transcrevemos ipsis litteris:
O Novo Testamento, isto he, Todos os Sacro Sanctos Livros e Escritos Evangélicos e Apostólicos do Novo Concerto de Nosso Fiel Salvador e Redentor Iesu Cristo, agora traduzido em português por Joio Ferreira de Almeida, ministro pregador do Sancto Evangelho. Com todas as 1icenças necessárias. Em Amsterdam, por Viuva de J. V. Someren. Anno 1681.

Milhares de erros foram detectados nesse Novo Testamento de Almeida, muitos deles produzidos pela comissão de eruditos que tentou harmonizar o texto português com a tradução holandesa de 1637. O próprio Almeida identificou mais de dois mil erros nessa tradução, e outro revisor, Ribeiro dos Santos, afirmou ter encontrado número bem maior.
Logo após a publicação do Novo Testamento, Almeida iniciou a tradução do Antigo, e, ao falecer, em 6 de agosto de 1691, havia traduzido até Ezequiel 41.21. Em 1748, o pastor Jacobus op den Akker, de Batávia, reiniciou o trabalho interrompido por Almeida, e cinco anos depois, em 1753, foi impressa a primeira Bíblia completa em português, em dois volumes. Estava, portanto concluído o inestimável trabalho de tradução da Bíblia por João Ferreira de Almeida.
Apesar dos erros iniciais, ao longo dos anos estudiosos evangélicos têm depurado a obra de Almeida, tornando-a a preferida dos leitores de fala portuguesa.[18]
5. A BÍBLIA NO BRASIL.
            Não sabemos exatamente como a Bíblia chegou a nosso país. O que sabemos é apenas um pedaço da história. Contudo, podemos dividir a história da Bíblia no Brasil em dois períodos: traduções parciais e traduções completas.
5.1. Traduções parciais.
Em 1847 publicou-se, em São Luís do Maranhão, O Novo Testamento, traduzido por frei Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré, que se baseou na Vulgata. Esse foi, portanto, o primeiro texto bíblico traduzido no Brasil. Essa tradução tornou-se famosa por trazer em seu prefácio pesadas acusações contra as “Bíblias protestantes, que, segundo os acusadores, estariam falsificadas” e falavam “contra Jesus Cristo e contra tudo quanto há de bom”.
Em 1879, a Sociedade de Literatura Religiosa e Moral do Rio de Janeiro publicou o que ficou conhecida como A primeira edição brasileira do Novo Testamento de Almeida. Essa versão foi revista por José Manoel Garcia, lente do Colégio D. Pedro; pelo pastor M. P. B. de Carvalhosa, de Campos, Rio de Janeiro, e pelo primeiro agente da Sociedade Bíblica Americana no Brasil, pastor Alexandre Blackford, ministro do evangelho no Rio de Janeiro.
Harpa de Israel foi o título que o notável hebraísta P. R. dos Santos Saraiva deu à sua tradução dos Salmos publicada em 1898.
Em 1909, o padre Santana publicou sua tradução do Evangelho de Mateus, vertida diretamente do grego. Três anos depois Basílio Teles publicou a tradução do Livro de Jó, com sangrias poéticas. Em 1917 foi a vez de J. L. Assunção publicar o Novo Testamento, tradução baseada na Vulgata latina.
Traduzido do velho idioma etíope por Esteves Pereira, o livro de Amós surgiu isoladamente no Brasil em 1917. Seis anos depois, J. Basílio Pereira publicou a tradução do Novo Testamento e do Livro dos Salmos, ambos baseados na Vulgata. Por essa época surgiu no Brasil (infelizmente, sem indicação de data) a Lei de Moisés (Pentateuco), edição bilíngue hebraico-português, preparada pelo rabino Meir Masiah Melamed.
O padre Huberto Rohden foi o primeiro católico a traduzir no Brasil o Novo Testamento diretamente do grego. Publicada pela instituição católica romana Cruzada Boa Esperança, em 1930, essa tradução, por estar baseada em textos considerados inferiores, sofreu severas críticas.[19]
5.2. Traduções completas.
Em 1902, as sociedades bíblicas empenhadas na disseminação da Bíblia no Brasil patrocinaram nova tradução da Bíblia para o português, baseada em manuscritos melhores que os utilizados por Almeida. A comissão constituída para tal fim, composta de especialistas nas línguas originais e no vernáculo, entre eles o gramático Eduardo Carlos Pereira, fez uso de ortografia correta e vocabulário erudito. Publicado em 1917, esse trabalho ficou conhecido como Tradução brasileira. Apesar de ainda hoje apreciadíssima por grande número de leitores, essa Bíblia não conseguiu firmar-se no gosto do grande público.
Coube ao padre Matos Soares realizar a tradução mais popular da Bíblia entre os católicos na atualidade. Publicada em 1930 e baseada na Vulgata, essa tradução possui notas entre parênteses defendendo os dogmas da Igreja Romana. Por esse motivo recebeu apoio papal em 1932.
A primeira revisão da Bíblia em português feita pela Trinitarian Bible Society (Sociedade Bíblica Trinitária) foi iniciada no dia 16 de maio de 1837. Essa decisão foi tomada seis anos após a formação da Sociedade. O primeiro projeto escolhido para a publicação da Bíblia numa língua estrangeira pela Sociedade foi o português. O rev. Thomas Boys, do Trinity College, Cambridge, foi encarregado de liderar o empreendimento. No ano de 1969, em São Paulo, foi fundada a Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, com o objetivo de revisar e publicar a Bíblia de João Ferreira de Almeida como a Edição corrigida e revisada fiel ao texto original.
Em 1943, as Sociedades Bíblicas Unidas encomendaram a um grupo de hebraístas, helenistas e vernaculistas competentes uma revisão da tradução de Almeida. A comissão melhorou a linguagem, a grafia de nomes próprios e o estilo da Bíblia de Almeida.
Em 1948 organizou-se a Sociedade Bíblica do Brasil destinada a “Dar a Bíblia à Pátria”. Essa entidade fez duas revisões no texto de Almeida, uma mais aprofundada, que deu origem à Edição revista e atualizada no Brasil, e uma menos profunda, que conservou o antigo nome Corrigida.
Em 1967, a Imprensa Bíblica Brasileira, criada em 1940, publicou a sua Edição revisada de Almeida, cotejada com os textos em hebraico e grego. Essa edição foi posteriormente reeditada com ligeiras modificações.
Mais recentemente, a Sociedade Bíblica do Brasil traduziu e publicou A Bíblia na linguagem de hoje (1988). O propósito básico dessa tradução tem sido o de apresentar o texto bíblico numa linguagem comum e corrente. Em 2000 foi lançada uma edição revisada com o nome Nova tradução na linguagem de hoje (NTLH).
Em 1990, a Editora Vida publicou a sua Edição contemporânea da Bíblia de Almeida. Essa edição eliminou arcaísmos e ambiguidades do texto quase tricentenário de Almeida, e preservou, sempre que possível, as excelências do texto que lhe serviu de base.
Uma comissão constituída de especialistas em grego, hebraico, aramaico e português, coordenada pelo Rev. Luiz Sayão, trabalhou em uma nova tradução das Escrituras para a língua portuguesa, sob o patrocínio da Sociedade Bíblica Internacional, com o título Nova versão internacional – NVI. A tradução começou em 1990 e em 1991 foi publicado o Novo Testamento. Finalmente em 2000 foi publicada a tradução completa da NVI.[20]
BIBLIOGRAFIA.
1. Introdução à Bíblia.
GEISLER, Norman L; NIX, William E. (1997) Introdução Bíblica: como a Bíblia chegou até nós. São Paulo, SP: Vida.
MEIN, John. (1990) A Bíblia e como ela chegou até nós. 8ª ed. Rio de Janeiro: JUERP.
2. Dicionários Bíblicos e Enciclopédias.
CHAMPLIN, Russell N. (2013) Enciclopédia de bíblia, teologia e filosofia. Vol 01: A-C. 11ª ed. São Paulo:      Hagnos.
______ (2013) Enciclopédia de bíblia, teologia e filosofia. Vol 05: P-R. 11ª ed. São Paulo: Hagnos.
DOUGLAS, J. D. (org.) (2006) O Novo dicionário da Bíblia. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova.
PFEIFFER, Charles F; VOS, Howard F; REA, John. (2007) Dicionário bíblico Wycliffe. 2ª ed. Rio Janeiro: CPAD.

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[1] Os sumerianos eram habitantes da nação mais antiga conhecida da Mesopotâmia – a Suméria. Esta nação estava situada na região sul da Babilônia, na metade sul do Iraque. (Pfeiffer, Vos e Rea, 2007, p. 1858).
[2] Pfeiffer, Vos e Rea, 2007, p. 669, 670; Geisler, Nix, 1997, p. 131.
[3] Champlin, 2013, p. 1032.
[4] Pfeiffer, Vos e Rea, 2007, p. 670.
[5] Pfeiffer, Vos e Rea, loc. cit.
[6] Douglas (org.), 2006, p. 435.
[7] Douglas (org.), loc. cit.
[8] Champlin, 2013, p. 55; Douglas (org.), 2006, p. 436.
[10] Douglas (org.), op. cit., p. 437.
[11] Douglas (org.), 2006, p. 437-438.
[12] Mein, 1990, p. 30-31.
[13] Este capítulo foi extraído da Bíblia de referência Thompson, com adaptações. O texto é da autoria de Jefferson Magno Costa e Abraão de Almeida.
[14] Geisler, Nix, 1997, p. 148.
[15] Mein, 1990, p. 32.
[16] Este capítulo foi extraído da Bíblia de referência Thompson. O texto é da autoria de Jefferson Magno Costa e Abraão de Almeida.
[17] Extraído de Geisler, Nix 1997, p. 255-257.
[18] Extraído de Geisler, Nix, 1997, p. 257-259.
[19] Extraído de Geisler, Nix, 1997, p. 259-260.

[20] Extraído de Geisler, Nix, 1997, p. 260-262, com adaptações.