A História é dividida comumente em
Pré-História e História. A causa desta divisão foi um fator fundamental para a
raça humana – o surgimento da escrita. A Pré-História é o período acontecido
antes da criação da escrita. Com o surgimento da escrita, fatos e eventos
passaram a ser registrados de maneira definitiva. A partir desses fatos
registrados surge o período denominado história.
1.1. A história da escrita.
As primeiras formas rudimentares de escrita apareceram entre
os povos sumerianos cerca do ano 3500 a.C.[1] Na
escrita sumeriana mais antiga, a figura de um objeto pode representar este
objeto ou meramente o som do nome desse objeto. Por exemplo, a figura de uma
estrela poderia representar o céu e lembrar a palavra an ou poderia
representar a palavra para deus (associação ao céu) e ser lida como dingir.
Este primeiro tipo de escrita era chamado pictogramas porque usava
figuras para representar seres humanos e animais. A partir dos pictogramas
surgiram outros tipos de escrita como os ideogramas (símbolos que representavam
ideias) e os fonogramas (símbolos que representavam sons).[2]
Esses textos, por assim dizer, eram
escritos em tijolos de barro ou massa e depois eram queimados ou deixados para
secar. Para escrever era usado um estilete de junco. Com o estilete eram feitos
várias cunhas ou incisões no barro. Por conta dessas cunhas é que esse formato
de escrita é chamado cuneiforme (latim, cuneus [cunha]).[3]
No final do quarto milênio a.C., os
egípcios desenvolveram seu próprio sistema de escrita. Este sistema era chamado
de escrita hieroglífica. Os hieróglifos usavam figuras e sinais
para serem lidos foneticamente. Inicialmente, este era um sistema de escrita
composto por ideogramas e mais tarde passou a ser um sistema de escrita
fonético (fonogramas).[4]
Quando e onde surgiu o alfabeto é
algo que ainda não sabemos. A maioria dos linguistas concorda em achar que o
alfabeto surgiu provavelmente no Egito ou em Canaã. A forma mais antiga de
alfabeto conhecido é cananeu e consonantal (composto de consoantes). Este
sistema alfabético surgiu entre 2000 e 1500 a.C., e foi transmitido
subsequentemente pelos fenícios aos gregos, provavelmente no século VIII a.C.
foram os gregos que inventaram as vogais. Até então havia somente as consoantes na língua escrita. Outra contribuição
dos gregos foi a mudança da direção da escrita para aquela que o ocidente segue
agora – da esquerda para a direita. Os sistemas de escritas cuneiforme da
mesopotâmia e o hieroglífico egípcio eram tão complicados que se levavam anos
para aprendê-los. O alfabeto colocou a alfabetização ao alcance de todos.[5]
1.2. Os suportes de escrita.
Uma vez que existam vários sistemas
de escritas, o ser humano passou a usar diversos materiais para transcrever os
registros. Eles utilizavam os materiais que tinham a disposição. Com o passar dos
tempos esses materiais foram aprimorados ou substituídos por outros.
1.2.1. Pedras.
Muitas inscrições eram entalhadas em
pedras ou rochas (Jó 19.24). Escrever em pedras era uma ótima opção quando se
queria que uma informação fosse preservada por muito tempo. Eram usadas tábuas
de pedras que mediam 45 cm x 30 cm. Foram em tábuas de pedras deste tamanho que
os Dez Mandamentos foram escritos (Êx 36.16).[6]
1.2.2. Tabletes de argila.
Em Ez 4.1 Deus diz ao profeta para
desenhar a cidade de Jerusalém num tijolo. Este tijolo provavelmente era de
argila.[7]
1.2.3. Papiro.
O papiro era um tipo de “papel”
feito de uma planta aquática abundante no Egito. Esse papel vinha sendo
fabricado desde 1400 a.C. até 600 d.C. Cortava-se um talo de papiro de 30 cm e
o cortava em fatias de pouca espessura, as quais eram coladas lado a lado a fim
de formarem uma “página” de 25 cm a 30 cm, em quadrado. Sobre essa primeira
camada era colada outra e depois tudo isso era prensado e deixado a secar. Esse
material era bastante durável, mas não suportava climas úmidos. Papiros não
sobreviveriam em Israel ou na Grécia, muito menos no Brasil – países de clima
úmido. Quase todos os manuscritos em rolos de papiro foram encontrados no
Egito, país que fica numa região semiárida onde nunca chove. O “papel” usado
pelo apóstolo João (2Jo 12) era provavelmente o papiro.[8]
1.2.4. Pergaminho.
O pergaminho era usado desde 1288
a.C. no Egito e em outros países. Em latim e grego a palavra era membrana
– palavra que significa pele. Este material era feito de peles de animais
(cabras e ovelhas) especialmente preparadas e era mais durável do que o papiro
e bem mais caro também. De acordo com 2Tm 4.13, o apóstolo Paulo fez uso de
pergaminhos.
1.2.5. Papel.
O papel teria sido inventado na China
em 105 d.C. por T’sai Lun. Ele misturou
casca de amoreira, cânhamo, restos de roupas e outros produtos. Depois de
batida a massa até formar uma pasta, peneirou e deixou secar ao sol. No
entanto, esta técnica foi guardada e somente 500 anos depois os chineses
conheceram o papel graças aos monges budistas coreanos. O papel chegou ao
ocidente em 750 d.C.[9]
1.3. Forma dos documentos.
Os suportes vistos acima possuíam
formatos diversos. Aqui iremos destacar formatos que foram importantes para a
transmissão da Bíblia.
1.3.1. Rolos.
Os rolos era a forma comum do
“livro” mencionado tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento era de
rolo. Quando a Bíblia usa a palavra “livro” (como por exemplo, em 2Rs 22.8
[livro da lei]) ela se refere aos rolos.
Os rolos eram feitos de papiro ou pergaminho e não podiam ser mais longo do que
10 metros. Já vimos que a confecção era feita colando uma folha na outra e isso
era feito até formar um rolo. No caso dos pergaminhos, uma pele era costurada
em outra até formar um rolo não mais longo do que 10 metros. A escrita em rolos
era feita em colunas, pois seria desconfortável escrever uma linha de 10 metros
e depois voltar ao início do rolo. Em Jr 36 temos o relato da confecção do rolo
do profeta. Em Zc 4.1 e Ap 5.1 lemos de rolos vieram voando. Em Lc 4.17 Jesus o livro de Isaias, ou seja, o rolo de
Isaías. Ele primeiro desenrolou o rolo (“abrindo o livro”) e depois de ter lido
enrolou o rolo (“tendo fechado o livro”).[10]
1.3.2.
Códices.
Em meados do século II d.C. o rolo
começou a ser substituído pelo códice. O códice tinha o formato de livro. Ao
invés de costurar uma pele na outra ou colar uma folha de papiro na outra,
passaram a fazer pilhas de papiro ou pergaminho e se fazia uma costura só.
Feito isso, o material final era usado como livro, sendo possível folhear as
páginas da mesma forma como folheamos as páginas da Bíblia. Alguns manuscritos
da Bíblia estão em forma de códice.[11]
2. OS MANUSCRITOS DA BÍBLIA.
A Bíblia foi preservada através de
muitos manuscritos. Manuscrito significa “escrito a mão”. Quando falamos em
“manuscritos originais” estamos nos referindo àqueles que foram escritos pelos
próprios autores bíblicos. No entanto, esses manuscritos (chamados de
autógrafos) não existem mais. O que nós temos são cópias de cópias muito bem
preservadas. Uma ciência chamada Manuscritologia estuda os manuscritos para
saber qual é o mais próximo do original (autógrafo).
As cópias manuscritas do Antigo
Testamento são poucas e raras. Já o Novo Testamento tem mais de 5400 cópias e
fragmentos manuscritos em grego, além das cópias feitas em armênio, copta e
latim.
Muitas pessoas levantam dúvidas
sobre a confiabilidade e veracidade do texto do Novo Testamento. Mas esse
número de cópias manuscritas (5400) foi produzido muito numa época muito
próximas dos originais, até o séc. IV.
Isso significa dizer que se o texto do Novo Testamento não é confiável, então
nenhuma cópia manuscrita feita antes da invenção da imprensa merece crédito, e
isso inclui todos os livros da antiguidade, seja livros de história ou de
filosofia, visto que o Novo Testamento é o documento mais bem atestado da
antiguidade em número de cópias manuscritas feitas próximas as datas do
originais.
2.1. Os principais manuscritos da Bíblia.
A cristandade possui alguns
manuscritos importantes para o texto bíblico.
2.1.1. Manuscrito Vaticano.
Manuscrito escrito em grego e data
do séc. IV a.C. É o mais antigo conhecido no mundo. Foi produzido em 4 volumes,
com 700 páginas, e está escrito em
colunas na página e contem quase a Bíblia inteira. Faltam 1 e 2 Timóteo,
Tito, Filemom e o Apocalipse. Ele está guardado na Biblioteca do Vaticano.[12]
2.1.2. Manuscrito Sinaítico.
Produzido no séc. IV e está em grego, contém todo o AT grego,
além das Epístolas de Barnabé e parte de O pastor, de Hermas. Foi encontrado pelo
sábio alemão Constantino Tischendorf, em 1844, no Mosteiro de Santa Catarina, situado
na encosta do Sinai. Tischendorf viu 129 páginas do manuscrito em uma cesta de
papel, prestes a serem lançadas ao fogo. Percebendo seu enorme valor, levou-as para
a Europa. Em 1859, voltou ao mosteiro e encontrou as páginas restantes. Doada
pelo seu descobridor a Alexandre II, da Rússia, a preciosidade foi posteriormente
comprada pela Inglaterra pela vultosa quantia de 100 mil libras esterlinas. Está no
Museu Britânico desde 1933.[13] Possui
quase o Novo Testamento inteiro, com exceções de Mc 16.9-20 e Jo 7.58-8.11.[14]
2.1.3. Manuscrito Alexandrino.
Está escrito em grego e data do séc.
IV d.C. Tem esse nome porque fez parte da biblioteca de Alexandria, Egito. É
composto por 4 volumes e tem duas colunas em cada página. Atualmente está no
Museu Britânico, em Londres. Contém a Bíblia inteira, com exceção de Gênesis 14:14 a 17; 15:1 a 5, 16 a 19; 16:6 a
9; I Reis 12:18 a 14:9; Salmos 49:20 a 70:11; Mateus 1:1 a 25:6; João 6:50 a
8:52; II Coríntios 4:13 a 12:7.[15]
3. TRADUÇÕES ANTIGAS.
A Bíblia possui duas traduções
antigas que causam impacto até hoje. São elas a Septuaginta e a Vulgata.[16]
3.1. Septuaginta.
Como consequência
dos setenta anos de cativeiro na Babilônia e da forte influência do aramaico, a
língua hebraica enfraqueceu. Todavia, fiéis à tradição de preservar os oráculos
em sua língua, os judeus não permitiam que os livros sagrados fossem vertidos
para outro idioma. Alguns séculos mais tarde, porém, essa atitude exclusivista
e ortodoxa teria de dar lugar a um senso mais prático e liberal. Com o estabelecimento
do império de Alexandre, o Grande, a partir de 331 a.C., a língua grega popularizou-se
a tal ponto que se tornou imprescindível uma tradução das Sagradas Escrituras
nesse idioma. Segundo o escritor Aresteas, a tradução grega foi feita por 72
sábios judeus (daí o nome “Septuaginta”), na cidade de Alexandria, a partir de
285 a.C., a pedido de Demétrio Falário, bibliotecário do rei Ptolomeu Filadelfo.
Concluída 39 anos mais tarde, a nova versão assinalou o começo de uma grande
obra que, além de preparar o mundo para o advento de Cristo, tornaria conhecida
de todos os povos a Palavra de Deus. Na igreja primitiva, era a tradução
conhecida de todos os crentes.
3.2.
Vulgata.
Em 382
d.C., o bispo Dâmaso encarregou Jerônimo de traduzir da Septuaginta para o
latim o livro de Salmos e o NT, trabalho concluído em três anos e meio. Mais
tarde, outro bispo assumiu a direção da igreja em Roma e percebeu, com inveja,
a grande cultura e a influência de Jerônimo. Este, perseguido e humilhado, dirigiu-se
para Belém, na Terra Santa, e ali estudou e trabalhou 34 anos na tradução de toda
a Bíblia para a língua latina. Jerônimo escreveu ainda 24 comentários bíblicos,
um conjunto de biografias de eremitas, duas histórias da igreja primitiva e
diversos tratados. Mais tarde, a Bíblia de Jerônimo ficou conhecida por Vulgata
[Vulgar], sendo hoje utilizada pela Igreja Romana como a autêntica versão das
Escrituras em latim, apesar de muitos estudiosos a considerarem pobre e até
apontarem falhas graves.
4.
TRADUÇÕES PARA O PORTUGUÊS.
O
processo da tradução da Bíblia foi feito de forma lenta. As primeiras traduções
eram de porções da Bíblia. A Bíblia completa em português
4.1.
Traduções parciais.
“Venturoso”
ou “Bem-Aventurado”. A despeito de esse título ter sido atribuído a d. Manuel
como o principal incentivador das grandes navegações, mais bem-aventurado que
esse rei português foi um de seus antecessores, d. Diniz (1279-1325), por ter
sido a primeira pessoa a traduzir para a língua portuguesa o texto bíblico,
tornando assim possível a futura grande navegação dos leitores de língua
portuguesa pelo imenso mar da Palavra de Deus.
Grande
conhecedor do latim clássico e leitor da Vulgata, d. Dinis resolveu enriquecer
o português traduzindo as Sagradas Escrituras para o nosso idioma, tomando como
base a Vulgata latina. Embora lhe faltasse perseverança e só conseguisse
traduzir os vinte primeiros capítulos do livro de Gênesis, esse seu esforço o
colocou em uma posição histórica-mente anterior a alguns dos primeiros
tradutores da Bíblia para outros idiomas, como João Wycliffe por exemplo, que
só em 1380 traduziu as Escrituras para o inglês.
Fernão
Lopes afirmou em seu curioso estilo de cronista do século XV, que d. João I
(1385- 1433), um dos sucessores de d. Diniz ao trono português, fez grandes
letrados tirar em linguagem os Evangelhos, os Atos dos Apóstolos e as epístolas
de Paulo, para que aqueles que os ouvissem fossem mais devotos acerca da lei de
Deus (Crônica de d. João I, segunda parte). Esses “grandes letrados” eram
vários padres que também se utilizaram da Vulgata latina em seu trabalho de
tradução.
Enquanto
esses padres trabalhavam, d. João I, também conhecedor do latim, traduziu o
livro de Salmos, que foi reunido aos livros do Novo Testamento traduzidos pelos
padres. Seu sucessor, d. João II, outro grande defensor das traduções do texto
bíblico, mandou gravar no seu cetro a parte final do versículo 31 de Romanos 8:
“Se Deus é por nós, quem será contra nós?”, atestando assim quanto os soberanos
portugueses reverenciavam a Bíblia.
Outras
traduções em língua portuguesa, realizadas em Portugal, são dignas de menção:
·
Os quatro evangelhos, traduzidos em elegante português pelo padre jesuíta
Luiz Brandão.
·
No inicio do século XIX, o padre Antônio Ribeiro dos
Santos traduziu os Evangelhos de Mateus e de Marcos, ainda hoje
inéditos. [17]
4.2.
Tradução completa: João Ferreira de Almeida.
Coube a João
Ferreira de Almeida a grandiosa tarefa de traduzir pela primeira vez para o
português o Antigo e o Novo Testamento. Nascido em 1628, em Torre de Tavares,
nas proximidades de Lisboa, João Ferreira de Almeida, quando tinha doze anos de
idade, mudou-se para o sudeste da Ásia. Após viver dois anos na Batávia (atual
Jacarta), na ilha de Java, Indonésia, Almeida partiu para Málaca, na Malásia, e
lá, pela leitura de um folheto em espanhol acerca das diferenças da
cristandade, converteu-se do catolicismo à fé evangélica. No ano seguinte
começou a pregar o evangelho no Ceilão (hoje Sri Lanka) e em muitos pontos da
costa de Malabar.
Não tinha
ele ainda dezessete anos de idade quando iniciou o trabalho de tradução da
Bíblia para o português, mas lamentavelmente perdeu o seu manuscrito e teve de
reiniciar a tradução em 1648.
Por
conhecer o hebraico e o grego, Almeida pôde utilizar-se dos manuscritos dessas
línguas, calcando sua tradução no chamado Textus Receptus, do grupo
bizantino. Durante esse exaustivo e criterioso trabalho, ele também se serviu
das traduções holandesa, francesa (tradução de Beza), italiana, espanhola e
latina (Vulgata).
Em 1676,
João Ferreira de Almeida concluiu a tradução do Novo Testamento, e naquele
mesmo ano remeteu o manuscrito para ser impresso na Batávia; todavia, o lento
trabalho de revisão a que a tradução foi submetida levou Almeida a retomá-la e
enviá-la para ser impressa em Amsterdamã, na Holanda. Finalmente, em 1681
surgiu o primeiro Novo Testamento em português, trazendo no frontispício os
seguintes dizeres, que transcrevemos ipsis litteris:
O Novo Testamento, isto he, Todos os Sacro Sanctos
Livros e Escritos Evangélicos e Apostólicos do Novo Concerto de Nosso Fiel Salvador
e Redentor Iesu Cristo, agora traduzido em português por Joio Ferreira de
Almeida, ministro pregador do Sancto Evangelho. Com todas as 1icenças
necessárias. Em Amsterdam, por Viuva de J. V. Someren. Anno 1681.
Milhares
de erros foram detectados nesse Novo Testamento de Almeida, muitos deles
produzidos pela comissão de eruditos que tentou harmonizar o texto português com
a tradução holandesa de 1637. O próprio Almeida identificou mais de dois mil
erros nessa tradução, e outro revisor, Ribeiro dos Santos, afirmou ter
encontrado número bem maior.
Logo após
a publicação do Novo Testamento, Almeida iniciou a tradução do Antigo, e, ao
falecer, em 6 de agosto de 1691, havia traduzido até Ezequiel 41.21. Em 1748, o
pastor Jacobus op den Akker, de Batávia, reiniciou o trabalho interrompido por
Almeida, e cinco anos depois, em 1753, foi impressa a primeira Bíblia completa
em português, em dois volumes. Estava, portanto concluído o inestimável
trabalho de tradução da Bíblia por João Ferreira de Almeida.
Apesar dos
erros iniciais, ao longo dos anos estudiosos evangélicos têm depurado a obra de
Almeida, tornando-a a preferida dos leitores de fala portuguesa.[18]
5.
A BÍBLIA NO BRASIL.
Não
sabemos exatamente como a Bíblia chegou a nosso país. O que sabemos é apenas um
pedaço da história. Contudo, podemos dividir a história da Bíblia no Brasil em
dois períodos: traduções parciais e traduções completas.
5.1.
Traduções parciais.
Em 1847
publicou-se, em São Luís do Maranhão, O Novo Testamento, traduzido por
frei Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré, que se baseou na Vulgata. Esse foi,
portanto, o primeiro texto bíblico traduzido no Brasil. Essa tradução tornou-se
famosa por trazer em seu prefácio pesadas acusações contra as “Bíblias
protestantes, que, segundo os acusadores, estariam falsificadas” e falavam “contra
Jesus Cristo e contra tudo quanto há de bom”.
Em 1879, a
Sociedade de Literatura Religiosa e Moral do Rio de Janeiro publicou o que
ficou conhecida como A primeira edição brasileira do Novo Testamento de
Almeida. Essa versão foi revista por José Manoel Garcia, lente do Colégio
D. Pedro; pelo pastor M. P. B. de Carvalhosa, de Campos, Rio de Janeiro, e pelo
primeiro agente da Sociedade Bíblica Americana no Brasil, pastor Alexandre
Blackford, ministro do evangelho no Rio de Janeiro.
Harpa
de Israel foi o
título que o notável hebraísta P. R. dos Santos Saraiva deu à sua tradução dos
Salmos publicada em 1898.
Em 1909, o
padre Santana publicou sua tradução do Evangelho de Mateus, vertida diretamente
do grego. Três anos depois Basílio Teles publicou a tradução do Livro de Jó,
com sangrias poéticas. Em 1917 foi a vez de J. L. Assunção publicar o Novo
Testamento, tradução baseada na Vulgata latina.
Traduzido
do velho idioma etíope por Esteves Pereira, o livro de Amós surgiu isoladamente
no Brasil em 1917. Seis anos depois, J. Basílio Pereira publicou a tradução do Novo
Testamento e do Livro dos Salmos, ambos baseados na Vulgata. Por
essa época surgiu no Brasil (infelizmente, sem indicação de data) a Lei de
Moisés (Pentateuco), edição bilíngue hebraico-português, preparada pelo
rabino Meir Masiah Melamed.
O padre
Huberto Rohden foi o primeiro católico a traduzir no Brasil o Novo
Testamento diretamente do grego. Publicada pela instituição católica romana
Cruzada Boa Esperança, em 1930, essa tradução, por estar baseada em textos considerados
inferiores, sofreu severas críticas.[19]
5.2.
Traduções completas.
Em 1902,
as sociedades bíblicas empenhadas na disseminação da Bíblia no Brasil
patrocinaram nova tradução da Bíblia para o português, baseada em manuscritos
melhores que os utilizados por Almeida. A comissão constituída para tal fim,
composta de especialistas nas línguas originais e no vernáculo, entre eles o
gramático Eduardo Carlos Pereira, fez uso de ortografia correta e vocabulário
erudito. Publicado em 1917, esse trabalho ficou conhecido como Tradução
brasileira. Apesar de ainda hoje apreciadíssima por grande número de
leitores, essa Bíblia não conseguiu firmar-se no gosto do grande público.
Coube ao
padre Matos Soares realizar a tradução mais popular da Bíblia entre os católicos
na atualidade. Publicada em 1930 e baseada na Vulgata, essa tradução possui
notas entre parênteses defendendo os dogmas da Igreja Romana. Por esse motivo
recebeu apoio papal em 1932.
A primeira
revisão da Bíblia em português feita pela Trinitarian Bible Society (Sociedade
Bíblica Trinitária) foi iniciada no dia 16 de maio de 1837. Essa decisão foi
tomada seis anos após a formação da Sociedade. O primeiro projeto escolhido
para a publicação da Bíblia numa língua estrangeira pela Sociedade foi o português.
O rev. Thomas Boys, do Trinity College, Cambridge, foi encarregado de liderar o
empreendimento. No ano de 1969, em São Paulo, foi fundada a Sociedade Bíblica
Trinitariana do Brasil, com o objetivo de revisar e publicar a Bíblia de João
Ferreira de Almeida como a Edição corrigida e revisada fiel ao texto
original.
Em 1943,
as Sociedades Bíblicas Unidas encomendaram a um grupo de hebraístas, helenistas
e vernaculistas competentes uma revisão da tradução de Almeida. A comissão
melhorou a linguagem, a grafia de nomes próprios e o estilo da Bíblia de
Almeida.
Em 1948
organizou-se a Sociedade Bíblica do Brasil destinada a “Dar a Bíblia à Pátria”.
Essa entidade fez duas revisões no texto de Almeida, uma mais aprofundada, que
deu origem à Edição revista e atualizada no Brasil, e uma menos
profunda, que conservou o antigo nome Corrigida.
Em 1967, a
Imprensa Bíblica Brasileira, criada em 1940, publicou a sua Edição revisada
de Almeida, cotejada com os textos em hebraico e grego. Essa edição foi
posteriormente reeditada com ligeiras modificações.
Mais
recentemente, a Sociedade Bíblica do Brasil traduziu e publicou A Bíblia na
linguagem de hoje (1988). O propósito básico dessa tradução tem sido o de
apresentar o texto bíblico numa linguagem comum e corrente. Em 2000 foi lançada
uma edição revisada com o nome Nova tradução na linguagem de hoje (NTLH).
Em 1990, a
Editora Vida publicou a sua Edição contemporânea da Bíblia de Almeida.
Essa edição eliminou arcaísmos e ambiguidades do texto quase tricentenário de Almeida,
e preservou, sempre que possível, as excelências do texto que lhe serviu de
base.
Uma
comissão constituída de especialistas em grego, hebraico, aramaico e português, coordenada pelo
Rev. Luiz Sayão, trabalhou em uma nova tradução das Escrituras para a língua portuguesa, sob o
patrocínio da Sociedade Bíblica Internacional, com o título Nova versão
internacional – NVI. A tradução começou em 1990 e em 1991 foi publicado o Novo
Testamento. Finalmente em 2000 foi publicada a tradução completa da NVI.[20]
BIBLIOGRAFIA.
1.
Introdução à Bíblia.
GEISLER, Norman
L; NIX, William E. (1997) Introdução Bíblica: como a Bíblia chegou até nós. São
Paulo, SP: Vida.
MEIN, John.
(1990) A Bíblia e como ela chegou até nós. 8ª ed. Rio de Janeiro: JUERP.
2.
Dicionários Bíblicos e Enciclopédias.
CHAMPLIN,
Russell N. (2013) Enciclopédia de bíblia, teologia e filosofia. Vol 01:
A-C. 11ª ed. São Paulo: Hagnos.
______ (2013) Enciclopédia
de bíblia, teologia e filosofia. Vol 05: P-R. 11ª ed. São Paulo: Hagnos.
DOUGLAS, J. D.
(org.) (2006) O Novo dicionário da Bíblia. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova.
PFEIFFER, Charles F; VOS, Howard F; REA, John. (2007) Dicionário bíblico Wycliffe.
2ª ed. Rio Janeiro: CPAD.
Você pode baixar este estudo aqui.
[1]
Os sumerianos eram habitantes da nação mais antiga conhecida da Mesopotâmia – a
Suméria. Esta nação estava situada na região sul da Babilônia, na metade sul do
Iraque. (Pfeiffer, Vos e Rea, 2007, p. 1858).
[2]
Pfeiffer, Vos e Rea, 2007, p. 669, 670; Geisler, Nix, 1997, p. 131.
[3]
Champlin, 2013, p. 1032.
[4]
Pfeiffer, Vos e Rea, 2007, p. 670.
[5]
Pfeiffer, Vos e Rea, loc. cit.
[6]
Douglas (org.), 2006, p. 435.
[7]
Douglas (org.), loc. cit.
[8]
Champlin, 2013, p. 55; Douglas (org.), 2006, p. 436.
[10]
Douglas (org.), op. cit., p. 437.
[11]
Douglas (org.), 2006, p. 437-438.
[12]
Mein, 1990, p. 30-31.
[13] Este
capítulo foi extraído da Bíblia de referência Thompson, com adaptações.
O texto é da autoria de Jefferson Magno Costa e Abraão de Almeida.
[14]
Geisler, Nix, 1997, p. 148.
[15]
Mein, 1990, p. 32.
[16]
Este capítulo foi extraído da Bíblia de referência Thompson. O texto é
da autoria de Jefferson Magno Costa e Abraão de Almeida.
[17]
Extraído de Geisler, Nix 1997, p. 255-257.
[18]
Extraído de Geisler, Nix, 1997, p. 257-259.
[19]
Extraído de Geisler, Nix, 1997, p. 259-260.
[20]
Extraído de Geisler, Nix, 1997, p. 260-262, com adaptações.

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