1.
A necessidade de estudar a Bíblia.
Deus
se nos revelou através de um livro – a Bíblia Sagrada – e é a partir dele que
nós tiramos os referenciais a respeito de Deus, do homem e do mundo que nos
cerca. Deus nos deu esse livro, e ele espera que nós o leiamos e o estudemos.
Sendo a autorrevelação de Deus, a Bíblia deve ser nosso objeto de estudo,
meditação e análise. Quando nós dizemos
que a Bíblia é a revelação de Deus, queremos dizer que é a através dela que
Deus se revelou e nós. O termo revelação de Deus não quer dizer
que ele vai nos dar novas revelações, pois ele já nos revelou tudo que
precisamos saber e o registrou nas páginas da Escritura (Hb1.1).
A
Bíblia nos impele a estudá-la. Vários textos na Escritura nos falam da
necessidade do estudo bíblico:
·
Os 4.6: Evitar a
destruição.
·
Mt 22.29: Evitar
o erro.
·
Rm 15.4: Para
que tenhamos esperança.
·
2Tm 3.16,17:
Utilidade prática da Escritura.
·
2Pe 3.18: Para o
crescimento na graça e no conhecimento.
2.
Três razões para estudar a Bíblia.
Estudar a Bíblia é mais
do que uma atividade intelectual, é também uma atividade espiritual pois
envolve oração. E muita oração. Martinho Lutero (o reformador alemão do séc.
XVI) costumava dizer sempre que “orar bem é a melhor parte dos estudos”. De
fato, a intelectualidade e a espiritualidade não é uma via de duas mãos. Paulo
em 1Co 14.14,15,[1]
diz que a mente (i.e., o intelecto) deve fazer parte da adoração e do culto.
Hoje em dia, infelizmente, há uma supervalorização da espiritualidade em
detrimento da intelectualidade. Boa parte dos cristãos atuais não são seres
pensantes.
A
leitura bíblica acompanhada de oração nos leva à espiritualidade. E este é o
ponto desta seção. Iremos alistar três
razões principais para o estudo da Bíblia.
2.1. O estudo
da Bíblia é essencial para o crescimento espiritual.
1Pe
2.2 diz: “Desejai
ardentemente, como crianças, recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para
que, por ele, vos seja dado o crescimento para a salvação”.
Pedro faz uma analogia entre a Palavra de Deus e o leite materno. Da mesma
forma como um recém-nascido anseia pelo leite materno, sua fonte de
alimento, o cristão deve ansiar pela
Escritura. Pois se o leite materno auxilia o crescimento do recém-nascido, de
igual modo a Escritura auxilia o “crescimento
espiritual” do cristão. Esse leite espiritual é útil para o crescimento
espiritual, ou seja, para a maturidade espiritual. Pedro transmite
novamente este conceito em 2Pe 3.18, onde ele exorte aos cristãos de todos os
tempos e épocas a crescerem “na
graça e no conhecimento”, e esse crescimento só pode ser alcançado
mediante a leitura e estudo da Palavra de Deus.
2.2. O estudo
bíblico é essencial para a maturidade espiritual.
Em
Hb 5.11-14 diz: “A esse
respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos
tendes tornado tardios em ouvir. Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres,
atentando ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos
ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus;
assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. Ora,
todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça,
porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que,
pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem,
mas também o mal”.
Apesar
de estarem na fé cristã a muito tempo, os cristãos hebreus não se tornaram
maduros na fé. Eles deveriam seres mestres, mas não atentaram para isso.
Perceba que o autor usa duas palavras com o mesmo sentido para reforçar uma ideia:
“tendes, novamente, necessidade
de alguém que vos ensine, de novo”. Os destinatários da
carta precisavam que alguém lhes ensinasse de novo os “princípios elementares dos oráculos de
Deus”.
O autor da carta lhes ensina os princípios elementares em Hb 6.1-2.
Como
consequência dessa imaturidade eles se tornaram como “necessitados de leite e não de alimento
sólido”.[2] O
autor ainda completa: “Ora,
todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça,
porque é criança”.
Então
o que é maturidade espiritual? De acordo com Ef 4.13-15, nós nos tornamos
maduros à medida que nos tornamos semelhantes a Cristo. E o meio pelo qual nos
tornamos semelhantes a Cristo é através da leitura da Palavra de Deus e de seu
estudo. É por isso que o autor diz que seus ouvintes eram “inexperiente na palavra da justiça”.
2.3. O estudo
bíblico é essencial para a eficácia espiritual.
O
texto de 2Tm 3.16-17 diz: “Toda
a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para
a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja
perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.
Este texto nos mostra três facetas da Escritura Sagrada.
1. O
texto nos mostra que a Bíblia é inspirada por Deus. Isso significa que Deus é
tanto o autor da Bíblia bem como sua principal fonte.
2. O
texto nos mostra quais são os fins práticos da Escritura:
a. Para
o ensino (Rm 15.4).
b. Para
a repreensão.
c. Para
a correção.
d. Para
a educação na justiça.
3. O
texto nos mostra a razão de todas
aquelas utilidades:
a. Para
que o homem de Deus seja perfeito.
b. Para
que o homem de Deus seja perfeitamente preparado para toda boa obra.
[1] “Porque, se eu orar em outra
língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera”, 1Co
14.14. Quando Paulo se refere a “orar em outra língua”, ele não está se
referindo a línguas extáticas ininteligíveis. O dom de línguas do Novo
Testamento diz respeito a um ato da vontade de Deus dado pelo Espírito Santo a
uma pessoa para falar em idiomas humanos conhecidos. Em At 2, quando lemos da
descida do Espírito Santo, vemos que aqueles servos de Deus falaram em línguas
e as pessoas de outros países os ouviram falarem em suas línguas maternas. Ou seja, as línguas faladas pelos
apóstolos não foram línguas estáticas,
mas sim idiomas conhecidos.
[2] Pedro e o autor da Carta aos
Hebreus não usam a metáfora do leite no mesmo sentido. Embora as igrejas para
as quais Pedro escreveu sem dúvida incluíam muitos novos convertidos, o leito
que Pedro se refere não significa ensino cristão elementar para os
espiritualmente imaturos (como em 1Co 3.2; Hb 5.12-13). Antes, indica a
pertinência e a suficiência do puro ensinamento cristão (encontrado na Palavra
de Deus, 2Pe 1.22-25) como alimento espiritual para todos os cristãos.

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